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A grande baleia branca

29, dezembro, 2010 1 comentário

Posso ser sincera?

Até casar com o Estevão, tudo o que eu lia de quadrinhos nacionais era a Turma da Mônica, alguma coisa do Ziraldo e a tira do Urbano no Globo.

Até vim a descobrir um mundo novo, com coisas muito interessantes. E pude perceber que há muito em comum entre os dois meios, o da Literatura Fantástica e o dos quadrinhos, pelo menos aqui no Brasil.

Por exemplo? O embate entre ser comercial e ser artístico. E a necessidade de se afirmar como Arte com MAISCULA, pompa e circunstância é gritante em Cachalote.

Pelo menos, a arte do Rafael Coutinho vale a pena.

A sinopse no site da Companhia das Letras vende Cachalote como uma graphic novel, um romance gráfico, dizendo que “as tramas são amarradas por temas e subtextos recorrentes”. Tudo muito subjetivo e parecendo uma desculpa pronta para certificar-se de que ninguém posso acusar o album de ser o que ele é: um apanhado de trechos de histórias maiores, incompletos e com nenhuma ligação entre si.

Não é ‘cool’ nem ‘cult’ fazer uma antologia de várias pequenas histórias. Fanzineiros fazem isso. Editoras independentes fazem isso. Para justificar o estarem em uma editora grande, talvez temerosos da acusação de nepotismo, já que Coutinho é filho do grande Laerte, tinham que lançar algo maior. E na área da Arte Sequencial, nada é maior do que a graphic novel, principalmente se de grande porte como está sendo feito lá fora pelos principais Artistas.

As histórias incompletas até poderiam ser interessantes se estivessem completas a ponto de fazerem algum sentido. Assim, recortadas, são muito banais e os dialogos duros demais – parecem cortados de Tarantino ou de qualquer outro diretor cool-moderninho-hypado – não ajudam a criar empatia pelos personagens.

Mas a arte do Rafael Coutinho é muito boa. Pelo menos isso.

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