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Textos com Etiquetas ‘Editora Draco’

Era uma vez no Estranho Oeste…

2, maio, 2011 5 comentários

Levanta aí a mão quem NUNCA viu um filme de “faroeste’.

Pode abaixar você aí, que eu sei que não é verdade.

Pelo menos uma vez na vida todo mundo já viu. Nem que tenha sido um capitulo daquela novela de muito ”sucesso” com a Fernanda Lima como protagonista.

O bom de Western – o nome do gênero que todo mundo gosta de chamar de bangue-bangue – é a misturada que se pode fazer. Fantasmas, aliens, zumbis, vampiros, fadas, máquinas a vapor – do steampunk à fantasia urbana, tudo pode acontecer no Velho Oeste.

E apesar da conquista da fronteira ser um tema muito caro aos EUA, a cultura pop adotou o faroeste como forma de expressar o eterno duelo Bem x Mal e o espalhou pelo mundo. Mesmo no Brasil, vários exemplos podem ser encontrados: desde a novela citada acima até os livrinhos de bolso do escritor Ryoko Inoue, vendidos em banca com diversos pseudônimos.

Demorou para a literatura fantástica absorver essa influência e colocá-la em prática aqui. Com a abertura para o século XIX feita com o sucesso do steampunk, a prática começou a aparecer e já temos três exemplos.

A editora Draco apostou no terceiro romance de Tibor Moricz, O Peregrino – o único romance da leva. A referência aos filmes de Western dessa aventura com toques steampunk pode ser vista na bela capa de Erick Santos.

Já as editoras Argonautas e Estronho apostaram em popular seu Oeste com vários escritores nas antologias Sagas 2 – Estranho Oeste e Cursed City. M.D. Amado é o único nome que se repete no elenco de participantes, compondo um painel variado e bem diversificado, contemplando escritores iniciantes e outros com uma estrada mais longa.

As duas antologias estão com eventos de lançamento marcados. Apareçam por lá e entrem no Estranho Oeste.

Lançamento – O Baronato de Shoah

23, março, 2011 Sem comentários

Aproveitem para conferir 2 resenhas do livro.

O som das deadlines se aproximando

3, março, 2011 12 comentários

E então, contistas, aproveitando as muitas chances em aberto?

Só para lembrar vocês, aqui vai um calendário com as principais coletâneas que ainda estão recebendo textos. Ou seja, CORRÃO/

15/03 ~ VII Demônios: Luxuria (10/24 mil caracteres – regulamento )
15/03  ~ Deus ex machina (10/24 mil caracteres – regulamento)
31/03 ~ Dieselpunk (8/18 mil palavras – regulamento)
15/04 ~VII Demônios: Soberba (10/24 mil caracteres – regulamento )
31/03 ~ Queer (5 a 20 páginas – regulamento)
15/03 ~ Steampink (24 mil caracteres – regulamento )
15/05 ~História Fantástica do Brasil: Inconfidência Mineira (25 /40 mil caracteres – regulamento)
15/05 ~VII Demônios: Preguiça (10/24 mil caracteres – regulamento)
15/06 ~VII Demônios: Avareza (10/24 mil caracteres – regulamento )
15/06 ~ História Fantástica do Brasil: Farrapos (25/40 mil caracteres – regulamento)
01/07 ~ Le monde bizarre (10/24 mil caracteres – regulamento)
15/07 ~VII Demônios: Ira (10/24 mil caracteres – regulamento )
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O Antonio Luiz lembrou nos comentários da série Imaginários da Draco, que está sempre aberta ao recebimento de contos entre 20 e 40 mil caracteres dentro de qualquer subgênero da Literatura Fantástica. É só mandar o texto para editoradraco@gmail.com e torcer. O volume 4 já está fechado, mas virão outros!
E como o Cirilo Lemos comentou, existe o concurso literário FC do B, que para todos os efeitos opera como uma chamada de submissões como as indicadas acima, porém é chamado de concurso por seus organizadores. O prazo vai até 01/07.

Não deixem passar essas excelentes oportunidades: todas são coletâneas que além de não cobrarem do autor, ainda pagam os direitos autorais, em exemplares ou em dinheiro.

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– Além destas, existem outras oportunidades, mas que exigem contrapartida do autor para publicar, como as antologias de literatura policial Os infiltrados e Jogos Criminais II.

Vapores da modernidade

1, março, 2011 2 comentários

Faz um pouco mais de um ano, um jovem escritor – se tem a idade da minha irmã caçula, é jovem – me pediu um favor. Ele tinha acabado de escrever o seu primeiro romance e queria uma opinião sincera. Eu perguntei se ele estava preparado para a sinceridade – poucos escritores estão, essa é a verdade. Como a resposta foi positiva, arregacei as mangas e mergulhei em um universo fantástico movido a vapor.

A história tinha pegada e o mundo construído pelo autor era fascinante. Mas como em qualquer primeira versão, tudo ainda estava muito cru. Fui má, fui cruel, mas na melhor das intenções falei toda a verdade – reforçando, claro, o melhor ponto positivo que qualquer livro pode ter: a história era completamente fascinante e implorava para ser contada, para que seus personagens ganhassem vida.

E ao contrário de muitos que se julgam profissionais mas são amadores, ele aceitou e prosseguiu, disposto a melhorar. Demorou um ano de trabalho – porque escrever até é fácil, o dificil é reescrever… – e muita dedicação do autor e da editora, mas finalmente o livro vai ganhar a forma que ele merece.

Mais do que ‘o primeiro romance steampuk brasileiro’ ou ‘ um épico com referências pop’, o Baronato de Shoah é uma história que precisava ser contada, sobre alguém que ao buscar o amor se viu forçado a escolher e fazer a coisa certa. E José Roberto Vieira conseguiu contá-la na Canção do Silêncio

O primeiro capitulo pode ser lido aqui e o prefácio de Romeu Martins está no seu blog. O blog do livro tem novidades e mais detalhes sobre esse universo.

Release:

O Baronato de Shoah – A Canção do Silêncio é o romance de estreia de José Roberto Vieira, uma emocionante aventura épica em um mundo fantástico e sombrio. Passado, presente e futuro se encontram com a cultura pop numa mistura de referências a animações, quadrinhos, RPG e videogames. Considerado o primeiro romance nacional pensado na estética steampunk, o mundo de O Baronato de Shoah une seres mitológicos como medusas e titãs a grandes inventos tecnológicos.
Desde o nascimento os Bnei Shoah são treinados para fazerem parte da Kabalah, a elite do exército do Quinto Império. Sacerdotes, Profetas, Guerreiros, Amaldiçoados, eles não conhecem outros caminhos, apenas a implacável luta pela manutenção da ordem estabelecida.
Depois de dois anos servindo o exército, Sehn Hadjakkis finalmente tem a chance de voltar para casa e cumprir uma promessa feita na infância: casar-se com seu primeiro e verdadeiro amor, Maya Hawthorn.
Entretanto, a revelação de um poderoso e surpreendente vilão põe Sehn perante um dilema: cumprir a promessa à amada ou rumar a um trágico confronto, sabendo que isso poderá destruir não só o que jurou amar e proteger, mas aquilo que aprendeu como a verdade até então.

Sobre o autor:
José Roberto Vieira
Nasceu em 1982, na capital de São Paulo. Formado em Letras pela Universidade Mackenzie, atuou como pesquisador pelo SBPC e CNPQ, atualmente é redator e revisor. Teve contos publicados na coletânea Anno Domini – Manuscritos Medievais (2008) e Pacto de Monstros (2009). BLOG www.baronatodeshoah.blogspot.com

O Baronato de Shoah – A Canção do Silêncio
Autor: José Roberto Vieira
Gênero: Literatura fantástica – romance
Formato: 14cm x 21cm
Páginas: 264 em preto e branco, papel pólen bold 90g
Capa: Cartão 250g, laminação fosca, com orelhas de 6cm
Preço de capa: R$ 46,90

Foi há alguns anos já, num reino ao pé do mar…

28, dezembro, 2010 1 comentário

Que aconteceu a história que Jim Anotsu revolveu contar.

(Palmas para mim por minha brilhante parafrase de E. A. Poe)

(Obrigada)

(Voltando ao que vim fazer)

Vou contar uma historinha.

Há muito, muito tempo atrás,  existia uma nuvem negra sobre o Fandom brasileiro. Tudo era rabugice e mimimi, ‘ninguém nos ama, ninguém nos publica’.

Até que surgiu a internet… e o mimimi continuou, só que por email. Mas a internet também trouxe uma renovação, uma lufada de vento fresco que começou a soprar aquela nuvenzinha irritante para fora.

Alguns chamaram essa lufada de ‘Terceira Onda’, só para irritar quem já estava de rabugice.

E nas comunidades virtuais, fora do alcance dos tradicionalistas e conservadores, o pessoal mais novo ainda que a tal Terceira Onda começou a fazer burburinho, trocar ideias e falar de trilogias, heptalogias e dominação mundial.

Um belo dia, um desses meninos procurou uma pessoa com um pouco mais de experiência – mas nem tanta que a tivesse contaminado com a nuvenzinha negra – e pediu que ela lesse seu primeiro original. E ela leu.

E ficou muito contente quando, poucos anos depois, recebeu aquele original novamente, mas agora em formato de livro.

Talvez o livro do Jim seja o melhor livro de estreia da literatura fantástica brasileira.

Talvez ele seja o mais próximo que chegamos nos últimos dois anos de nos aproximarmos da vanguarda.

Só sei que é um dos melhores livros que li recentemente. E uma das poucas unanimidades aqui em casa: mamãe leu e gostou, minha irmã também. Até seu Leopoldo achou interessante, apesar da capa rosa.

Ao contar a história de duas irmãs londrinas, Jim quebrou o 1o Mandamento do Fandom Brasileiro: Enfiarás o Brasil no seu livro a qualquer custo.

Não tem Brasil nem Brazil. E essa história de ‘se quer ser universal, cante a sua aldeia’ ou ‘o rio que passa na minha terra é o mais importante de Portugal’ era ótima num século XX em que só se tinham cartas e telegráfos como meio de comunicação transoceanico. No mundo de hoje, a nossa aldeia é global.

E Jim fala sobre emoções, inseguranças e incertezas que todo mundo tem aos 15 anos.  Sem cair no ‘ai-meu-deus-preciso-transar’ ou no ‘não-sou-popular-quero-morrer’.

Uma coisa que torna a literatura Young Adult dificil de engolir pra mim é que geralmente é escrita opor senhouras e senhoures de seus 40, 50 anos, casados e cheios de gatos em casa, que acham que os Jovens Adultos de hoje estão no mesmo ambiente que os de sua época.

Eu mal cheguei nos 30 e não faço ideia de como  estão lidando com tudo o que acontece hoje em dia. Imaginem eles. Soa tudo ou muito forçado ou mini-adulto demais ou estereotipo de série da Disney.

E se as emoções, inseguranças e incertezas são as mesmas, o lugar social onde você tem que resolve-las não é o mesmo de 15 anos atrás.

Como o Jim tem 20 e muito pouco, ele sabe. Ele passou por isso faz muito pouco tempo, e é por isso que suas protagonistas soam tão… naturais.

Isso não quer dizer que o livro seja superficial. Muito pelo contrário. O rapaz tem uma bagagem cultural imensa, de Stevenson aos beats. Mas também passa por Neil Gaiman e a cultura pop, desenhos animados e musica alternativa. A mistura podia sair indigesta, como os montes de cópias de Alan Moore que praticamente precisam de notas de rodapé para serem entendidas. Só que esse rapaz tem talento.

E desse talento saiu um universo simbólico cheio de mensagens e significados, mas que consegue ser atraente, com personagens cativantes e aterrorizadores ao mesmo tempo.

Contras? O livro é curto, algumas descrições e dialogos ainda são um pouco confusos e/ou forçados. Porém, a narrativa ligeira com tom descolado – quase herdeira de romances noir – ajuda a relevar isso.

Se você ainda não o leu, tá perdendo a chance de daqui a alguns anos, dizer que leu o cara quando ele ainda estava começando. Vai por mim.

Annabel & Sarah

Jim Anotsu
ISBN: 978-85-62942-03-7
Gênero: Fantasia Urbana
Páginas: 156
Preço: R$ 30,90

Compre aqui!

Submissões abertas para contos de Literatura Fantástica

19, outubro, 2010 Sem comentários

É bem conhecida a minha postura de que um escritor, mesmo que se sinta um romancista de carteirinha, deveria primeiro se habituar a escrever contos – até mesmo pela dificuldade que muitos tem em fechar uma ideia. Um dos pontos negativos dessa minha opinião, para muitos, é que não há onde publicá-los no Brasil, já que não temos uma cultura de revistas literárias e seriam poucas as oportunidades.

Com a retomado da literatura fantástica brasileira de 2005 para cá, o cenário tem mudado bastante e muitas chances tem surgido. Algumas vezes, infelizmente, o mercado continua mantendo o vício das antologias-loteamento, seja direta ou indiretamente. Porém, não é raro que surjam boas oportunidades para ter seu trabalho editado, divulgado e, por vezes, até mesmo receber algo por isso – mesmo que seja pouco.

No momento, as minhas sugestões são:

– Na web:

O Brasil é um dos países mais conectados do mundo, com presença maciça em redes sociais e milhares de blogs espalhados por aí. Ter o seu próprio cantinho é sempre bacana, mas muitos sentem falta de ter um editor por trás. O suporte de alguém mais experiente é sempre benvindo e os leitores gostam de um trabalho de seleção e divulgação direcionado. Ficam aqui duas sugestões:

Contos Fantásticos, do incansável Afonso L. Pereira, é aberto para todas as expressões da literatura fantástica, além de publicar entrevistas, divulgar livros e publicar resenhas. Para enviar contos, é só entrar no site, procurar a parte de contatos que o editor irá responder.

1000 Universos , ezine do site Café de Ontem vai estrear em 2011 e já está aceitando contos. É só seguir as regras e colocar mãos a obra.

– Impressos:

O aquecimento do mercado editorial favoreceu o aparecimento de novas editoras e selos dedicados exclusivamente à literatura fantástica. E felizmente nem todos com a visão estreita de que o autor iniciante tem que pagar para trabalhar. Inscrições abertas para as mais diferentes temáticas:

Insanas – as loucuras do universo feminino em histórias escritas somente por mulheres. Nada de romance açucarado ou vampiros ao Crepusculo. O negócio aqui é a crueldade e o sadismo femininos. Sim, é só para mulheres – mudança de sexo é aceita.

VII Demônios – Cada livro, um demônio como padrinho. Cada demônio representa um pecado, um dos nossos lados mais escuros. Cada pecado é homenageado em um livro dessa coleção do Estronho.

Cursed City – Gosta do Velho Oeste? E de Terror? Prato cheio é mais essa antologia organizada pelo Guardião do Estronho. Os fracos aqui não tem vez.

Dieselpunk – Vapor é bom, mas fumaça é muito melhor. Depois do sucesso de Vaporpunk, a editora Draco repete a parceria com o mestre da História Alternativa Gerson Lodi Ribeiro para fazer a primeira coletânea nacional do subgênero dieselpunk. Liguem os motores!

No próximo post, uma lista de editoras para mandar o seu trabalho mais longo.