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Textos com Etiquetas ‘Caçadores de Apostolos’

Cá, não há elfos fofinhos.

30, dezembro, 2010 1 comentário

É bem conhecida a minha implicância com Tolkien e ‘O Senhor dos Anéis’ – ei, eu gosto do ‘Hobbit’ e o ‘Silmarillion’, prum rascunho, é bem interessante.

Boa parte disso vem do fato dos protagonistas serem tão bonzinhos e legais… tão gostáveis que para mim soavam como produtos, algo fabricado. Até mesmo o Bilbo, que era um cara bacana no ‘Hobbit’ ficou um babaca no ‘Senhor dos Anéis’.

(Sim, o Bilbo é muito mais legal que o Frodo. Leonard Nimoy nunca fez uma música pro Frodo, vez?

Nimoy canta A Balada de Bilbo Baggins

Vocês achavam que não existia nada pior que o Shatner cantando?)

E assim, minha implicância com o Tolkien se expandiu para o resto da Fantasia Heróica / Épica. Robert Howard? Eu gosto, mas por vezes o machismo ‘Hulk Esmaga’ dele cansa. É, eu sou exigente.

Um belo dia, Mr Barcia me perguntou se eu conhecia Glen Cook. Não, eu não conhecia. Ele tinha acabado de adquirir um volume com a trilogia inicial da ‘Black Company’ e mesmo sem ter lido, achou que eu iria gostar. Até então, ele não tinha errado nenhuma indicação. E acertou na mosca novamente.

Ali não tem escolhas fáceis, ou elfos de emice cheios de melancolia. Nada disso. Todo mundo é meio canalha, meio santo. As ruas são sujas, os caminhos são arduos. Pessoas morrem, boas ou más, amigos se tornam inimigos, e a vida segue. Uma coisa ficou na minha cabeça ‘Queria muito ler um livro brasileiro escrito por alguém que já tivesse tido contato com ESSE tipo de fantasia’.

Sim, porque eu dou um longo suspiro de desânimo toda vez que um jovem autor é entrevistado num blog – ou mesmo em seus perfis na Web – e nem hesita ao dizer que sua maior influência é Tolkien. E nem adianta se perguntar ‘mas além do Tolkien…’. No geral, o que surge é um C.S. Lewis e olhe lá.

Aí no lançamento carioca de ‘Caçadores de Apostolos’, Leonel Caldela começa a falar justamente sobre como ele queria falar sobre pessoas comuns no meio de uma guerra, tendo que tomar decisões que eles mesmos sabiam que não eram as mais acertadas. Na hora, lembrei da Black Company e perguntei se ele conhecia. A resposta positiva me fez comprar o livro com muito menos receio do que estava, afinal não tinha gostado do pouco que li da Trilogia da Tormenta, romances escritos por ele e passados no universo criado pela revista Dragão Brasil.

Não me arrependi.

Antes de mais nada, Caldela tem estilo próprio. Provavelmente amadurecido depois de 3 romances, e que agora já se apresenta firme e bem definido. Os personagens respiram, andam e sangram. A trama religiosa e politica parece palpável, além de ser complexa.

Na verdade, o plot me lembrava demais o do primeiro livro da Black Company. Duas forças opostas, o que seria identificado como o Mal dominando e o Bem sendo aos poucos sufocado.  Porém, conforme o autor vai construindo o seu universo, com um uso bastante maduro de flashbacks e recortes temporais, dá para ver a originalidade da história que nos é mostrada.

Personagens de verdade, carismáticos mesmo quando antipáticos. Cenas de tensão bem construídas. Trama bem amarrada.

Em termos de Fantasia Épica, Leonel Caldela é definitivamente um nome a ser guardado. E que venha o Deus Máquina.

(Ah, sim. A capa é linda. E tem uns errinhos de revisão meio chatos, mas nada que atrapalhe por demais)

(E toda aquela enrolação no começo é só porque eu estava doida por um motivo pra postar o video do Nimoy…)

***

Autor: Leonel Caldela
Formato: 15,5 x 23 cm, 416 páginas, brochura
Preço: R$ 55,00
ISBN: 978858913447-7