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Arquivo da Categoria ‘Notícias’

Vapores da modernidade

1, março, 2011 2 comentários

Faz um pouco mais de um ano, um jovem escritor – se tem a idade da minha irmã caçula, é jovem – me pediu um favor. Ele tinha acabado de escrever o seu primeiro romance e queria uma opinião sincera. Eu perguntei se ele estava preparado para a sinceridade – poucos escritores estão, essa é a verdade. Como a resposta foi positiva, arregacei as mangas e mergulhei em um universo fantástico movido a vapor.

A história tinha pegada e o mundo construído pelo autor era fascinante. Mas como em qualquer primeira versão, tudo ainda estava muito cru. Fui má, fui cruel, mas na melhor das intenções falei toda a verdade – reforçando, claro, o melhor ponto positivo que qualquer livro pode ter: a história era completamente fascinante e implorava para ser contada, para que seus personagens ganhassem vida.

E ao contrário de muitos que se julgam profissionais mas são amadores, ele aceitou e prosseguiu, disposto a melhorar. Demorou um ano de trabalho – porque escrever até é fácil, o dificil é reescrever… – e muita dedicação do autor e da editora, mas finalmente o livro vai ganhar a forma que ele merece.

Mais do que ‘o primeiro romance steampuk brasileiro’ ou ‘ um épico com referências pop’, o Baronato de Shoah é uma história que precisava ser contada, sobre alguém que ao buscar o amor se viu forçado a escolher e fazer a coisa certa. E José Roberto Vieira conseguiu contá-la na Canção do Silêncio

O primeiro capitulo pode ser lido aqui e o prefácio de Romeu Martins está no seu blog. O blog do livro tem novidades e mais detalhes sobre esse universo.

Release:

O Baronato de Shoah – A Canção do Silêncio é o romance de estreia de José Roberto Vieira, uma emocionante aventura épica em um mundo fantástico e sombrio. Passado, presente e futuro se encontram com a cultura pop numa mistura de referências a animações, quadrinhos, RPG e videogames. Considerado o primeiro romance nacional pensado na estética steampunk, o mundo de O Baronato de Shoah une seres mitológicos como medusas e titãs a grandes inventos tecnológicos.
Desde o nascimento os Bnei Shoah são treinados para fazerem parte da Kabalah, a elite do exército do Quinto Império. Sacerdotes, Profetas, Guerreiros, Amaldiçoados, eles não conhecem outros caminhos, apenas a implacável luta pela manutenção da ordem estabelecida.
Depois de dois anos servindo o exército, Sehn Hadjakkis finalmente tem a chance de voltar para casa e cumprir uma promessa feita na infância: casar-se com seu primeiro e verdadeiro amor, Maya Hawthorn.
Entretanto, a revelação de um poderoso e surpreendente vilão põe Sehn perante um dilema: cumprir a promessa à amada ou rumar a um trágico confronto, sabendo que isso poderá destruir não só o que jurou amar e proteger, mas aquilo que aprendeu como a verdade até então.

Sobre o autor:
José Roberto Vieira
Nasceu em 1982, na capital de São Paulo. Formado em Letras pela Universidade Mackenzie, atuou como pesquisador pelo SBPC e CNPQ, atualmente é redator e revisor. Teve contos publicados na coletânea Anno Domini – Manuscritos Medievais (2008) e Pacto de Monstros (2009). BLOG www.baronatodeshoah.blogspot.com

O Baronato de Shoah – A Canção do Silêncio
Autor: José Roberto Vieira
Gênero: Literatura fantástica – romance
Formato: 14cm x 21cm
Páginas: 264 em preto e branco, papel pólen bold 90g
Capa: Cartão 250g, laminação fosca, com orelhas de 6cm
Preço de capa: R$ 46,90

The Queer Eye for the Brazilian Fandom Guy

2, fevereiro, 2011 Sem comentários

Ok, a piadinha do título foi pessima mas a noticia é ótima.

Os escritores Rober Pinheiro e Cris Lasaitis vão organizar a primeira coletânea de literatura fantástica a tratar de um tema muito delicado: a diversidade sexual.

Se aqui no Brasil é novidade, lá fora o cruzamento da literatura fantástica com o ativismo pelo direito da diversidade sexual e de gênero já corre faz tempo. Inclusive com uma premiação de grande prestigio, o James Tiptree, Jr. Award.

No Brasil, chegaram alguns exemplares de excelente qualidade, como o romance ‘A mão esquerda da escuridão’ de Ursula K. Le Guin – relançado pela Aleph recentemente – e vários volumes da série Darkover de Marion Zimmer Bradley, com destaque para a trilogia das Renunciantes.

E o nosso fandom, que passou quase duas décadas sendo praticamente um reduto de homens heterossexuais, foi sendo invadido por pessoas de todos os gostos e convivências, sem vergonha de suas escolhas ou opções.

A publicação de uma coletânea assim, liderada por dois excelentes escritores, celebra essa diversidade. Parabéns à Tarja Editorial pela ousadia.

E destacando: a participação é aberta a todos, todas e tod@s.

O primeiro lançamento internacional da Tarja já em pré-venda!

28, janeiro, 2011 Sem comentários

A Tarja Editorial, pioneira no boom das editoras dedicadas exclusivamente à literatura fantástica, prepara-se para alçar novos voos, com seu primeiro lançamento internacional. Trata-se da novela ‘A situação’ de Jeff Vandermeer, um dos pais do New Weird.

O livro já está em pré-venda por apenas R$ 24,00 na Tarja Livros, traduzido por Richard Diegues e Marcela Spinola (informação do site da FBN), com arte de capa de Marcelo Tonidandel.

Segundo o crítico norte-americano Larry Nolen, “A situação” tem seu ponto forte por trazer situações extremamente familiares – a convivência no trabalho – em um ambiente mais fantástico.

No site da Tarja, você encontra mais informações sobre autor e obra, além de uma amostra da edição brasileira.

Na Wired, você lê uma entrevista em inglês com Jeff e Ann Vandermeer sobre literatura, concedida na época do lançamento de ‘A situação’, com um brinde: o pdf completo da versão original.

Parabéns ao selo Pulsar

27, janeiro, 2011 Sem comentários

(Sim, eu tinha parado de colocar releases e anuncios – porém, com o aumento da carga de trabalho, a periodicidade disso aqui vai cair muito. Então, resolvi colocar aqui o release enviado hoje pelo Marcello Branco sobre a marca de dez títulos da Devir. O marco pode parecer pequeno, porém é o único selo dedicado exclusivamente à FC. Além disso, a Devir trabalha numa logística completamente diferente das outras editoras de literatura fantástica, inclusive de distribuição e de impressão. É um testemunho do crescimento do nosso mercado. Parabéns aos envolvidos, principalmente ao Roberto Causo, responsável pelo selo.)

(PS: Continuo não gostando das capas)

Dedicado à ficção científica, O selo Pulsar, da Devir, alcança a marca de 10 títulos

Com a publicação do romance Angela entre dois Mundos, de Jorge Luiz Calife, em dezembro de 2010, o selo Pulsar da Devir chega à marca de dez livros publicados. É um reforço substancial à publicação de ficção científica no Brasil, com títulos particularmente significativos, como os multipremiados romances de Orson Scott Card, O Jogo do Exterminador e Orador dos Mortos; o quarto livro de contos de André Carneiro, Confissões do Inexplicável, a mais volumosa coletânea de FC brasileira já editada; Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica, a primeira antologia retrospectiva da história do gênero no Brasil, e um sucesso de vendas; Tempo Fechado, do escritor cyberpunk Bruce Sterling, romance que antecipou as mudanças climáticas globais; Trilogia Padrões de Contato, de Jorge Luiz Calife, reunindo pela primeira vez três romances clássicos da FC brasileira em um único volume; Anjos, Mutantes e Dragões, o primeiro livro de contos do destacado autor brasileiro de FC e fantasia, Ivanir Calado; e o quarto romance de Calife, Angela entre dois Mundos.

Os Dez Títulos da Pulsar:

1. O Jogo do Exterminador (Ender’s Game), Orson Scott Card

2. Confissões do Inexplicável, André Carneiro

3. Orador dos Mortos (Speaker for the Dead), Orson Scott Card

4. Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica, Roberto de Sousa Causo, ed.

5. Tempo Fechado (Heavy Weather), Bruce Sterling

6. Trilogia Padrões de Contato, Jorge Luiz Calife

7. Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica: Fronteiras, Roberto de Sousa Causo, ed.

8. Xenocídio (Xenocide), Orson Scott Card

9. Anjos, Mutantes e Dragões, Ivanir Calado

10. Angela entre dois Mundos, Jorge Luiz Calife

Os títulos da Pulsar contam com traduções de especialistas em ficção científica como Carlos Angelo e Sylvio Monteiro Deutsch, e artes de capa de artistas talentosos como Vagner Vargas e Felipe Campos. Para o futuro imediato, a Pulsar promete manter o alto nível e a ousadia editorial que a tem caracterizado até aqui.

Alguns dos Próximos Lançamentos do selo Pulsar:

O Último Teorema (The Last Theorem), de Arthur C. Clarke & Frederik Pohl. Um complexo romance de primeiro contato com inteligências alienígenas e de política internacional, é o último livro escrito por Clarke, o grande mestre da ficção científica, morto em 2008.

Os Filhos da Mente (Children of the Mind), de Orson Scott Card. Romance que fecha o primeiro ciclo de aventuras de Ender Wiggin, iniciado com o multipremiado (Prêmios Hugo e Nebula) O Jogo do Exterminador (Ender’s Game), um best-seller com mais de dois milhões de exemplares vendidos no mundo.

The Windup Girl (ainda sem título em português), de Paolo Bacigalupi. O romance ganhador dos Prêmios Hugo, Nebula e Locus de 2009, é um dos mais premiados livros de estréia de um autor de ficção científica, comparável apenas a Neuromancer (1984), de William Gibson.

A Cidade e as Estrelas (The City and the Stars), de Arthur C. Clarke, marcará o retorno às livrarias brasileiras deste que é o principal romance da melhor fase do mestre inglês da ficção científica, um dos grandes nomes do gênero no século 20 e autor de 2001: Uma Odisséia no Espaço.

Assembléia Estelar: Histórias de Ficção Científica Política, organizada pelo jornalista e cientista político Marcello Simão Branco, é a primeira antologia internacional com esse tema montada no Brasil. Com histórias de André Carneiro, Ataíde Tartari, Bruce Sterling (EUA), Carlos Orsi, Daniel Fresnot, Fernando Bonassi, Flávio Medeiros, Henrique Flory, Luis Filipe Silva (Portugal), Miguel Carqueija, Orson Scott Card (EUA), Roberto de Sousa Causo, Roberval Barcellos e Ursula K. Le Guin (EUA).

As Melhores Novelas Brasileiras de Ficção Científica, antologia organizada por Roberto de Sousa Causo, com novelas e noveletas clássicas da ficção científica nacional: “Zanzalá” (1928), de Afonso Schmidt; “A Escuridão” (1963), de André Carneiro; “O 31.º Peregrino” (1993), de Rubens Teixeira Scavone; e “A nós o Vosso Reino” (1998), de Finisia Fideli.

Trilhas do Tempo, de Jorge Luiz Calife. O segundo livro de contos de Calife, autor da Trilogia Padrões de Contato, o grande clássico da ficção científica hard brasileira.

Conheça os autores que, nos dez títulos do selo Pulsar, alargam os limites de como enxergamos a ficção científica nacional e internacional:

Afonso Schmidt

Jorge Luiz Calife

André Carneiro

Jerônymo Monteiro

Berilo Neves

Leonardo Nahoum

Braulio Tavares

Levy Menezes

Bruce Sterling

Lima Barreto

Cid Fernandez

Lygia Fagundes Telles

Domingos Carvalho da Silva

Machado de Assis

Finisia Fideli

Marien Calixte

Gastão Cruls

Orson Scott Card

Ivan Carlos Regina

Ricardo Teixeira

Ivanir Calado

Rubens Teixeira Scavone

Roberto de Sousa Causo

Retrospectiva 2010

27, dezembro, 2010 Sem comentários

Final de ano, hora de avaliar o que fizemos esse ano e nos preparar pro próximo.

Pra isso, de hoje até dia 27 de janeiro, o FC e Afins irá apresentar uma série de resenhas, artigos e comentários sobre as leituras feitas durante o ano.

O calendário dessa semana é:

27/12 – Aos olhos da morte *

28/12 – Annabel e Sarah

29/12 – Cachalote

30/12 – Caçadores de Apostolos

31/12 – A batalha do Apocalipse

01/12 – Xochiquetzal

02/12 – A Corrente

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Resultado do Prêmio

22, junho, 2010 Sem comentários

Olá a todos.

Eis que finalmente saiu o resultado do Prêmio Melhores do Ano:

Categoria: Romances:

1. Lugar: Kaori (Giulia Moon – Giz)– 24 votos

2. Lugar: Dias da Peste (Fábio Fernandes – Tarja)– 18 votos

3. Lugar: Xochiquetzal (Gerson Lodi-Ribeiro – Draco)– 14 votos

4. Lugar: Ethernyt (Marson Alquati – Giz) – 13 votos

5. Lugar: Guardiões do tempo (Nelson Magrini – Giz) – 11 votos


Categoria: Antologias

1. Lugar: Anacrônicas (Ana Cristina Rodrigues – A1) – 32 votos

2. Lugar: Taikodom: crônicas (Gerson Lodi-Ribeiro – Giz) – 23 votos

3. Lugar: Antologia do absurdo (Victor Melloni – Clube dos Autores)– 11 votos

4. Lugar: A sete palmos (Waldick Garret – Giz) e Um salto na escuridão (Henry Evaristo – Clube de Autores) – 10 votos


Categoria: Coletâneas

1. Lugar:  Steampunk (Gian Celli, org. – Tarja)– 31 votos

2. Lugar: Metamorfose (Ademir Pascale, org. – All Print)– 23 votos

3. Lugar: Paradigmas I (Richard Diegues, org. – Tarja) – 22 votos

4. Lugar: Draculea (Ademir Pascale, org, – All Print)– 21 votos

5. Lugar: Imaginários I (Eric Novello, Tibor Moricz, S. Stoclker – Draco)– 15 votos


Categoria: Ebooks

1. Lugar: Empadas e Morte (M.D. Amado) – 33 votos

2. Lugar: Melhor do Desafio Operário  (Ana Cristina Rodrigues, org.) – 16 votos

3. Lugar: A deusa dos vampiros (Adriano Siqueira) – 12 votos

4. Lugar: Fantasma na máquina (Lucio Manfredi) – 7 votos

5. Lugar: A canção do silêncio (José Roberto Vieira) – 6 votos

Categoria: Revista

1. Lugar: Scarium – 36 votos

2. Lugar: Portal Fundação – 11 votos

3. Lugar: Revista Lama – 8 votos

4. Lugar: Portal Stalker – 8 votos

5. Lugar: Portal Solaris – 7 votos

Categoria: Editoras

1. Lugar: Draco – 55 votos

2. Lugar: Tarja – 43 votos

3. Lugar: Devir – 28 votos

4. Lugar: Giz – 25 votos

5. Lugar: Aleph – 20 votos

Categoria: Capas

1. Lugar: Metamorfose – 26 votos

2. Lugar: Anacrônicas (Estevão Ribeiro) – 17 votos

2. Lugar: Kaori (Beléto Maya – Superarte Design) – 17 votos

4. Lugar: Steampunk (Marcelo Tonanindel) – 15 votos

5. Lugar: Fc do B II (Camila Fernandes)– 12 votos

Categoria: Colunistas / Resenhistas

1. Lugar: Eric  Novello – 35 votos

2. Lugar: Ana Cristina Rodrigues – 29 votos

3. Lugar: Roberto de Sousa Causo – 26 votos

4. Lugar: Antonio Luiz da Costa – 20 votos

5. Lugar: Romeu Martins – 14 votos


Categoria: Contos

1. Lugar: O mapa para a terra das fadas – Ana Cristina Rodrigues (AnaCrônicas) – 11 votos

1. Lugar: Uma Vida Possível Atrás das Barricadas – Jacques Barcia  (Steampunk) – 11 votos

3. Lugar: A Dama de Shalott – Ana Cristina Rodrigues (AnaCrônicas) – 7 votos

3. Lugar: Eu, A Sogra – Giulia Moon (Imaginários I) –  7 votos

5. Lugar: Os Três Trílios – Aguinaldo Peres (Espelhos Irreais) – 6 votos

5. Lugar: Sinfonia Para Narciso – Cristina Lasaitis (Paradigmas 1) – 6 votos

7. Lugar: Uma Breve História da Maquinidade – Fábio Fernandes (Steampunk) – 5 votos

Categoria: Editores/Organizadores

1. Lugar: Ademir Pascale – 26 votos

2. Lugar: Richard Diegues – 22 votos

3. Lugar: Gian Celli – 18 votos

4. Lugar: Ana Cristina Rodrigues – 12 votos

5. Lugar: Samir Machado – 11 votos

Categoria: Ezines

1. Lugar: Black Rocket 3 – 18 votos

2. Lugar: Terrorzine – 17 votos

Categoria: Não-ficção

Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica 2008 – 30 votos

Categoria: Site de contos

1. Lugar: Estronho e esquesito – 38 votos

2. Lugar: Contos Fantásticos – 33 votos

3. Lugar: Fontes da Ficção – 15 votos

4. Lugar: Terroristas da Conspiração – 13 votos

5. Lugar: O Nerd Escritor – 12 votos


Categoria: Sites informativos

1. Lugar: Fantastik – 17 votos

1. Lugar: Homem Nerd – 17 votos

3. Lugar: Criando Trestálios – 16 votos

3. Lugar: Universo Fantástico – 16 votos

5. Lugar: Mundo de Fantas – 15 votos

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O Jogo de Tronos

3, fevereiro, 2010 5 comentários

“Quando você entra no Jogo de Tronos, você ganha ou morre. Não há um meio termo.”

Conflitos em livros de Fantasia são resolvidos como, pergunto a vocês.

E quase aposto que em poucos minutos, o que virá a sua mente são as batalhas de Helm ou os ents destruindo Isengard. Ou criancinhas sendo perseguidas por pessoas muito más que as querem eliminar, resolvendo assim qualquer problema.

Levando em consideração que grande parte do imaginário da Fantasia – principalmente no que diz respeito à High Fantasy e a Sword and Sorcery – nada podia ser mais irreal.

Guerras custavam – e ainda custam, vide o orçamento do Sr. Nobel da Paz – caro, em termos materiais e sociais. Elas tiram o camponês do campo para fazer parte da infantaria e o nobre do castelo para constituir a cavalaria. Os peões que morrem desfalcam a cadeia produtiva, principalmente levando em consideração que são tempos de alta mortalidade infantil. E a morte de nobres em batalha podem destruir domínios e nações – que o digam Portugal e seu rei-cruzado D. Sebastião.

Portanto, meninos e meninas, a guerra entre dois poderes conflitantes, além de último esforço, era principalmente apenas mais uma parte do grande jogo do Poder. Havia muitas outras estratégias postas em prática pelos participantes do jogo de tronos: casamentos, alianças diplomáticas, troca de favores, subornos, corrupção, traições, assassinatos.

A palavra que era dada hoje podia não valer mais nada amanhã. O Imperador Carlos V libertou Francisco I da França mediante a promessa de ter de volta a Borgonha que pertenceu a seu bisavô. Morreu sem rever Dijon. O bispo que sagrava o rei muitas vezes conspirava para tirá-lo do trono.

Mas e daí, Ana? É Fantasia, poxa, tem magos, dragões, elfos e o caramba-a-quatro. Quem liga pro que é real?

Bem, eu ligo para o que é verossimel. Ou seja, tudo bem se explodirem bolas de fogo em cima de um dragão negro cavalgado por uma mulher de cabelos verdes e seios pintados de azul- desde que aquilo não me tire do livro. Explicando: se a toda hora eu leio algo que eu precise pensar ‘mas é só fantasia’, acaba qualquer chance de imersão naquele universo. E isso é um dos meus problemas com ‘Senhor dos Anéis’ e ‘Harry Potter’ (MEUS problemas, ok? Os livros não são ruins e nem eu odeio Tolkien/J. K. Rowling. Mas tem coisas nas obras de ambos que me incomodam – e eu não os colocaria no meu top dez de autores de Fantasia). Oras, é algo que me incomoda em ‘As Brumas de Avalon’ e eu sou fã de carteirinha da Marion Zimmer Bradley. (A saber: o detalhe irritante nas ‘Brumas’ é a estranha religião celta com apenas dois deuses, uma wicca avant la lettre).

Além disso, a história européia pré-Revolução Francesa tem sido a grande inspiração da literatura de Fantasia . Não dá para ignorar a ‘realidade’ histórica na construção da obra ficcional. E principalmente não dá para esquecer a própria realidade ficcional. Guerras não são simplesmente magos e bolas de fogo e dragões. Mesmo em livros de Fantasia.

E o que torna a série ‘A song of Ice and Fire’ diferente, um passo a frente da maioria dos épicos fantásticos que você já leu?

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A crueza de sua verossimilhança.

Ao enredar o leitor no conflito pelo poder em Westeros, o continente em que se desenvolve a maior parte da saga, George R. R. Martin não cai na armadilha de muitos outros. Não há romantismo ou ideais que durem nessa disputa. O sexo é duro e bastardos rangem os dentes ao serem humilhados. Batalhas não são descritas como épicos combates entre semi-deuses, mas do jeito sujo e rasteiro como aconteciam. Um garotinho que cai do telhado não se salva miraculosamente.

Martin chega a ser malvado com o leitor, matando personagens carismáticos e importantes sem dó, nem piedade. E ele mesmo diz que a intenção dele é que você, leitor, ao virar a página, tema pelo destino das pessoas que estão ali.

Isso vem, em parte, por Martin não ter se inspirado em mitologia ou em épicos antigos, como Tolkien. A grande musa do autor é Clio, a musa grega da História, e a grande referência para os acontecimentos e o cenário é a Guerra das Duas Rosas.

(Ok, ok, meninos. Eu sei que o programa de História das nossas escolas anda um lixo e provavelmente vocês boiaram. Bem, a Guerra das Duas Rosas foi uma disputa pelo poder na Inglaterra no século XV que envolveu duas casas nobres, os Lancaster e os York, representados cada um por uma rosa. A guerra foi consequência direta da guerra dos Cem Anos e alterou o quadro político inglês.)

Foi nessa referência que a série me ganhou e eu comprei o primeiro livro. E não me decepcionei.

Apesar do nome ser pouco conhecido aqui no Brasil, George Martin não é nenhum novato. Começou a escrever no começo da década de 1970, tendo de lá para cá trabalhado com uma grande diversidade de gêneros e de mídias. Suas únicas obras a terem aparecido por aqui foram um conto na edição brasileira da Isaac Asimov Magazine, a telessérie ‘A Bela e a fera’ (ok, crianças, eu conto qual é: uma em que uma policial encontra uma fera vivendo no esgoto de NY) e a adaptação de WildCards para GURPS no suplemento Supers (os livros originais não chegaram a sair por aqui, só uma minissérie de HQs publicadas pela editora Globo – sim, a Globo publicou quadrinhos). Já passou pela FC hard e soft, pela Fantasia Contemporânea/Urbana, pelos Supers…

A melancolia é um traço marcante. E as canções de gelo e fogo também são melancólicas, acentuadas pela aproximação de um inverno que se anuncia longo e cruel. Quatro de seus sete livros já foram publicados – A game of thrones, A clash of kings, A storm of swords e A feast for crows, e o quinto é esperado para breve há quatro anos – A dance with dragons. O primeiro livro saiu em 1996, chamando imediatamente a atenção dos fãs de Fantasia e aos poucos tornando-se um grande sucesso. Os direitos forma vendidos para a HBO que começou as filmagens do episódio piloto no final de 2009.

No continente de Westeros – a tradução portuguesa chamou de Ponente – o Inverno não chega há anos. Porém, começa a dar seus primeiros sinais um pouco antes da morte do rei Robert, que por sua vez tinha tirado o trono das mãos do último rei da dinastia Targaryen. O grande problema é que um dos nobres mais importantes de Westeros, Eddard Stark, desconfia da legitimidade dos filhos do rei  com Cersei Lannister. Essa suspeita dessa bastardia após a morte de Robert faz com que outros pretendentes ao trono aparecem, vindos de outras famílias e com que os antigos aliados do rei tenham que repensar suas estratégias.

Do outro lado do mundo, em outro continente, a filha do último rei Targaryen, sonha com o trono. Daenarys é guiada pela ambição de seu irmão mas logo vê que ele seria incapaz de governar. Mais forte e decidida que ele, assim que se casa com um poderoso chefe de guerra, ela toma as rédeas de sua própria vida e passa a arquitetar a tomada do Trono de Ferro.

E enquanto isso, o vento frio sopra do Norte, fazendo com que os guardas da Muralha – uma imensa estrutura de pedra e gelo, construída com o auxilio de magia – fiquem alertas. Os rumores que os Outros, uma raça antiga e há muito julgada extinta, estejam ativos tornam-se cada vez mais fortes – até que finalmente a verdade surge.

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A narrativa de Martin é seca, direta e – como já dito – tem um grande traço de melancolia. Os personagens são, em sua maioria, extremamente empáticos. Não tem como não se importar com o que vai acontecer com eles, mesmo que seja para torcer por sua desgraça. O anão Tyrrion, que com sua deformação é um contraste a beleza dos seus irmãos, os gêmeos Lannister, teria tudo para ser um vilão odioso, porém é um dos personagens mais cativantes.

E isso faz toda uma diferença.

Para que um personagem literário ganhe vida, é preciso que os leitores sintam o que ele sente. Consigam se colocar no lugar dele e ver o cenário com os seus olhos. Martin faz isso muito bem. Um dos artifícios que usa é o de dar a cada um de seus capítulos um Ponto de Vista diferente. Ao fazer isso, não muda simplesmente o cenário ou o papel de protagonista daquele trecho. O estilo de narrar a história varia de acordo com quem nos traz aquele pedacinho da
história. Assim, quando se junta um escritor competente, um cenário verossímil, uma referência histórica bem estudada e personagens cativantes, não há como não ter uma das melhores sagas de Fantasia jamais escritas ou publicadas.

E sabe o que é melhor ainda?

O primeiro livro da saga, ‘A game of thrones’, vai ser lançado no Brasil no segundo semestre de 2010 pela editora Leya. Ao pensarmos que em 2009 tivemos ‘O nome do vento’ de Patrick Rothfuss e ‘A roda do tempo’ de Robert Jordan chegando aqui, fica mais claro que o mercado editorial brasileiro começa a pensar em sair do infanto-juvenil/bestseller no caso da literatura fantástica. Ainda falta muito para um mundo ideal, como autores clássicos que jamais aportaram por aqui, mas o leitor de Fantasia já pode olhar com otimismo para o futuro.

**

Agora, para você, meu colega escritor iniciante:

LEIA o livro do Martin. Sim, Tolkien foi muito importante – e é uma das influências assumidas do autor – porém há mais no mundo da Fantasia do que a Terra Média.

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Resultado das enquetes e colaborações externas

15, setembro, 2009 Sem comentários

Dois pontos rápidos!

As nossas enquetes já foram fechadas. O assunto mais votado foi New Space Opera, seguido de perto pelo New Weird. Sendo assim, em breve teremos dois artigos para satisfazer a curiosidade dos leitores.

O escritor mais cotado foi Gerson Lodi-Ribeiro. Aguardem um perfil super recheado do mestre da História Alternativa brasileira.

Agora, uma novidade.

A partir de agora, o blog está aberto a participação de qualquer membro da comunidades Escritores de Fantasia, Ficção Científica e Escritores de Fantasia e Ficção Científica em português que queira mandar um texto – NÃO FICCIONAL – sobre FC, Terror, Fantasia. Pode ser resenha de livro, filme, comentário sobre um gênero, etc. O texto deve ser mandado diretamente pra mim, pelo meu email anacrisrodrigues@gmail.com – e eu irei publicá-lo no blog com os devidos créditos.

No que se relaciona a artigos, eu prefiro que me consulte antes de escrever – já tenho alguns prontos para ir ao ar sobre alguns assuntos. Já resenhas é só mandar mesmo.

Material ficcional, por enquanto, fica de fora. Se a demanda for grande, posso pensar no caso. Mas que tal mandar pro Letra e Video se estiver dentro da proposta?
Quem quiser ter o link para o seu blog no nosso, é só pedir. Pode ser aqui mesmo, alias. A unica coisa que peço é reciprocidade: se eu te dou carona, retribua. Coloque um link pro FC e Afins de volta.

Bem, é isso. Qualquer dúvida, estou aqui.:)

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Literatura Fantástica Nacional na Bienal do Rio

12, setembro, 2009 2 comentários

ATUALIZADO EM 15/09

Agora que Mr. Cornwell já foi, os amantes da literatura fantástica podem estar se perguntando: ok, e agora o que tem de legal?

Muita coisa! E não só na Bienal, mas no circuito fora da Bienal também!

Hoje, sábado, 12 de setembro, tem o lançamento de MSP 50, álbum comemorativo dos 50 anos de carreira de Mauricio de Sousa. Vários desenhistas e roteiristas – inclusive a dupla responsável pela graphic novel intempoliana The Long Yesterday, Osmarco Valadão e Manoel Magalhães – foram convocados para fazer releituras da obra do mais bem sucedido quadrinista brasileiro. A partir das 18 hs, no estande da Editora Panini.

Amanhã, 13 de setembro, é dia de vampiros e samurais. Giulia Moon, depois de anos sendo uma das melhores contistas ‘vampirescas’ do Brasil, finalmente lança um romance, na mesma linha temática que já a consagrou. O lançamento carioca de Kaori, perfume de vampira será no estande da Giz Editorial, a partir das 16 hs.

Na terça-feira, 15 de setembro, Giulia, Martha Argel e Humberto Moura estarão na livraria Baratos da Ribeiro, em Copacabana, na noitada literária ‘Yes, nós temos vampiros!’, a partir das 18hs.

Dia 17 de setembro, a partir das 15:30h, Martha Argel irá deixar os vampiros de lado para se dedicar a outras criaturinhas voadoras, com ‘Educação Ambiental: Voando pelo Brasil’ falando sobre aves brasileiras e seus ecossistemas. No estande da Editora CucaFresca (pavilhão verde).

Sábado, dia 19, é o dia mais movimentado.

Meio-dia, o café literário (pavilhão azul)  sediará uma mesa sobre literatura de entretenimento, mediada por Felipe Pena, com Luis Eduardo da Matta e André Vianco. O senhor dos vampiros também estará autografando seus livros a partir das 14hs no stand da Saraiva – Pavilhão Azul.

Miguel Carqueija anuncia que entre 14:00 e 16:00 hs, estará no estande da Giz Editorial (pavilhão laranja) para a tarde de autógrafos da antologia “Invasão”, organizada por Ademir Alves, com prefácio de Roberto Causo.  Os demais autores da antologia são: Angela Nadja Berg Ceschim Oiticica, Christian David, Daniel Pedrosa, Daniele Helena Bonfim, Danny Marks, Duda Falcão, Edmar Souza Júnior, Eduardo Lesnok, Estevan Lutz, Jocir Prandi, Mariana Albuquerque, Mário Carneiro Jr., Melanie Evarino Leite, Nenezio, Ricardo Delfin, Rober Pinheiro, Rômulo Mafra, Ronaldo Costa, Ronaldo Luiz Souza, Vinícius Vieira, Waldick Garrett e Wilson Silva. O autor carioca também estará autografando o romance “Farei meu destino”.

A escritora Giselle Sato avisa que a coletânea do Beco do Crime, da qual participa, terá sessão de autográfos às 17 hrs, no pavilhão laranja.

E na Baratos da Ribeiro estará acontecendo, durante todo o dia, a OFF Bienal, com leituras, dramatizações, shows e lançamentos, em uma iniciativa conjunta do sebo com a editora Multifoco. Vários autores estarão presentes, como Giulia Moon, S. Lobo, Martha Argel, Humberto Moura, Fabio Lyra, Estevão Ribeiro, Luis Eduardo da Matta, além desta que vos escreve. Mais informações aqui.

No domingo, 20, ao meio-dia, Adriana Lunardi (autora de Vésperas), FLavio Carneiro Michel Laub, estarão debatendo no Café Literário (pavilhão azul) o tema ‘Literatura, delicadeza, ficções de si e dos outros’.

Eu estarei na Bienal nos dias 12 e 19 de setembro, com AnaCrônicas e Espelhos Irreais nas costas, além de, claro, estar na OFF Bienal. Espero vocês por lá!

Dica de boas compras:

No stand da editora Universo dos Livros (pavilhão verde), os livros de Sergio Pereira Couto estão em promoção, inclusive a recém-lançada nova edição de ‘Sociedades Secretas’.

O stand da Bookoutlet (pavilhão laranja) oferece livros a R$ 5,00 e R$10,00 – incluindo obras de Isaac Asimov e Doris Lessing

O site Estante Virtual (pavilhão verde) criou uma promoção inusitada: a troca de livros. A cada livro usado que você levar, poderá levar outro. Limite de 10 livros por pessoa.

Atenção escritores!!!

É possivel entrar na Bienalcom credenciamento – em bom português, sem pagar. É só apresentar uma publicação em seu nome e carteira de identidade nas bilheterias habilitadas para retirar a sua credencial, válida para todos os dias. (Se não me engano, ficam à esquerda da entrada, no pavilhão laranja)

Lembrando que é apenas um apanhado. A programação completa você encontra no site da Bienal.

Quem quiser divulgar mais alguma coisa na Bienal – ou fora dela – entre em contato.

Ana Cristina

Enquetes!

22, julho, 2009 1 comentário

Como muitos sabem, eu acho que democracia é uma comida típica grega.

Mas as vezes gosto de ouvir a vox populi.

Então, aí vão duas enquetes

Sobre o que deve ser o novo artigo no FC e Afins?

Sobre qual autor brasileiro você gostaria de ler um artigo bio-bibliográfico?

Sugestões serão benvindas! É só colocar na caixa de comentários!

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