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Os 10 Melhores Romances de FC e F da década – segundo os leitores da Tor.com

4, março, 2011 9 comentários

Olha, acho que todo mundo anda meio de saco cheio de listas: ‘os melhores livros sobre sexo’, ‘os melhores filmes inspirados em livros sobre sexo’ e por aí. Porém, esse ranking feito pelos leitores do site oficial da editora Tor – especializada em literatura fantástica e que publica grandes nomes – me bateu por dois motivos. Primeiro, eu li seis dos mais votados, o que me deu aquele orgulhinho besta de estar minimamente antenada. E em segundo lugar, porque dos 10 livros, 2 estão disponíveis em edições brasileiras e 2 estão programados para recebe-las.

Vamos a lista.

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1- Old Man’s War by John Scalzi

Ainda sem previsão de sair no Brasil, o excelente romance de John Scalzi é o primeiro de uma série passada em um futuro no qual a Terra é uma potência universal. E como toda potência, enfrenta percalços militares que são resolvidos de forma inversa à maneira mostrada no clássico Ender’s Game de Orson Scott Card: no universo criado por Scalzi, as batalhas são combatidas por anciões que receberam corpos novos. É, exatamente isso: aos setenta anos, ao invés de se aposentar, você se torna um recruta, ganha um corpo construído com super habilidades e vai batalhar contra os mais diversos tipos de criaturas, nos lugares mais inóspitos possíveis.  A narrativa é deliciosa, com um senso de humor sensacional e faz referências a dois clássicos da FC militar que já aportaram no Brasil:  Tropas Estelares do Robert Heinlein e Guerra sem fim do Joe Haldeman (que saiu pela Iluminuras, que traz títulos surpreendentes a preços exorbitantes).

Você pode degustar um pouco do cenário aqui (em inglês) e podemos torcer para que a adaptação do livro para o cinema nos traga uma versão brasileira, com um título melhor que a portuguesa que saiu pela Gallilivros (A guerra é para os velhos)

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2- American Gods by Neil Gaiman

Neil Gaiman

Um momento de descanso para os olhos

Ter Neil Gaiman no ‘top 10’ não é surpresa, a surpresa foi ele não estar no topo! Deuses Americanos – que finalmente vai ser reeditado pela Conrad – consolidou o roteirista de Sandman como escritor e pavimentou a estrada para que ele se tornasse um dos poucos popstars literários de hoje. Numa trama cheia de referências à mitologia, acompanhamos Shadow em uma viagem pelos Estados Unidos, em um clima de Road movie fantástico. Nessa estrada, ele vai encontrado criaturas e seres que, desenraizados, construíram novas identidades e novas religiões no novo mundo.

Não há muito o que falar desse livro que redefiniu a Fantasia Contemporânea – ou do seu autor, um dos escritores mais ativos, bonitos e cheirosos dos últimos tempos.

E sim, ele é cheiroso. Eu sei. Dei um abraço nele. Há!

(Ok, foi desnecessário, mas não agüento falar do Gaiman sem ressaltar essa parte. Me processem!)

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3- The Name of the Wind by Patrick Rothfuss

Eis a grande surpresa – da lista e da década! Primeira parte da ‘Crônica do Matador de Reis’ – o 2º livro Wise man’s fear sai agora em março nos EUA – O nome do vento saiu no Brasil em 2009, apenas 2 anos depois de sua primeira edição. É o romance de estréia de Pat Rothfuss e seu sucesso surpreendeu até mesmo o autor, que  aproveitou a fama para… fazer caridade!

Uma fantasia sombria, que conta a história de Kvothe por várias dificuldades enquanto ele busca desenvolver forças para se vingar dos Chandrianos, entidades lendárias que voltam a vida e provocam um desequilíbrio de forças. O livro todo tem um clima de desespero e de sombras – mesmo a quadrinha infantil sobre os vilões começa a dar medo quando você se aprofunda mais na história:

When the hearthfire turn to blue,
what to do? what to do?
Run outside, run and hide.
When his eyes are black as crow?
where to go? where to go?
Near and far. here they are
See a man without a face?
Move likes ghosts from place to place
what’s their plan? What’s their plan?
Chandrian. Chandrian

A bela capa brasileira


A Carol fez uma boa resenha do livro.

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4- Blindsight by Peter Watts

Desse livro, eu nem tinha ouvido falar. Então, recorri ao Google – e aquele orgulho besta meio que desapareceu, já que o romance concorreu ao Hugo de 2007… A minha desculpa é, que segundo a Wikipedia,  trata-se de um romance de FC Hard, que não é minha praia. A trama explora temas como identidades e consciência, usando como mote uma equipe de astronautas que encontra uma entidade extraterrestes. E pra minha total surpresa, o livro está disponível online! Vou aproveitar para ler.

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5- Kushiel’s Dart by Jacqueline Carey

Outro que se encaixa na categoria ‘nunca ouvi falar’.  Pelo que vi na Wikipedia, é uma fantasia inspirada no Gênesis, com anjozzzz….

Não, não me interessou. Pelos comentários da equipe da Tor.Com, é uma série com muitos fãs – o que explica a sua inclusão.

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6- A Storm of Swords by George R.R. Martin

Se você não sabe quem é George Martin ou a sua série, sugiro que você leia esse post.

Leu?

Não há muito mais o que falar. Storm of swords é o terceiro e maior livro da saga até agora, e o mais complexo – segundo os fãs. Eu? Bem, apesar de ter adorado o primeiro volume, prometi que só leria os outros quando o 5º livro saísse.

Se a notícia for verdade, acho que tenho três livros para ler esse ano!

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7- Jonathan Strange & Mr Norrell by Susanna Clarke

Esse foi um livro que me derrotou. Cheguei no final por pura obstinação mesmo, porque vontade de largar eu tive, e muita.

Porém, o romance de estréia de Susanna Clarke foi muito elogiado e premiado, com críticos encantados pela prosa dickeniana que conta a história de dois homens que trazem a magia de volta para a Inglaterra.

Quem quiser se aventurar, o livro foi publicado no Brasil.

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8- Anathem by Neal Stephenson

Esse está na pilha para ler. Ainda não me animei a passar das 100 primeiras páginas  – são 930. E pelo tamanho, vocês devem ter uma vaga idéia de que nada acontece muito no começo. Mas a discussão parece bem interessante.

Um dado: esse livro era a barbada para o Hugo de 2009, que perdeu para o infanto-juvenil O livro do cemitério do Neil Gaiman. Admito que votei no Gaiman.

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9- Mistborn: The Final Empire by Brandon Sanderson

Brandon Sanderson é o melhor aluno de Robert Jordan  e seu trabalho na trilogia Mistborn – que começou com esse livro – lhe valeu o posto de perpetuador da saga de Jordan (para quem não sabe, “Wheel of time”).

Achei muito ‘predestinado muda o destino do Mundo’, mas a protagonista é bastante simpática e acaba te atraindo pro livro. O cenário é bem construído, inclusive a parte dos poderes dos Mistborn.

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10- Perdido Street Station by China Mieville

Bem, esse livro é o grande responsável pelo hype que surgiu no fandom brasileiro sobre a moda New Weird. E em parte isso se justifica pela qualidade do texto. Mieville desfia a cidade de New Crobuzon com uma veracidade que por vezes é difícil lembrar que ela não existe.

Criaturas bizarras, um perigo que ameaça destruir tudo, um casal completamente impossível – que tem uma cena de sexo belissimamente escrita, um plot intrigante e complexo. Faltam adjetivos para descrever esse delírio do escritor inglês. Ah sim, foi prometido para breve pela Tarja Editorial!

Não é o Gaiman, mas é charmoso

Pessoalmente, a minha lista teria o Pat Rothfuss em 1º, o Neil Gaiman em 2º e o China em 3º – com um quase empate com o Scalzi.

Bem, é isso, espero que vocês aproveitem o post e leiam alguns desses livros, em inglês ou em português.

Retrospectiva 2010 – II

3, janeiro, 2011 Sem comentários

Os posts da primeira semana foram deixados programados enquanto eu viajava, porém não foram postados e  não estão na memória do blog. Irei refaze-los durante a semana, colocando-os com a data em que deveriam sair. Todos os dias, sairão duas resenhas: a do dia e uma das atrasadas, até completar.

03/01 – Dom Casmurro e os discos voadores

04/01 – Taikodom: Crônicas

05/01 – Pequenos Heróis

06/01 – The Pillars of the World

07/01 – Final Fantasy: the Cristal Bearers

08/01 – Eclipse ao por do sol e outros contos

09/01 – Selva Brasil

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Submissões abertas para contos de Literatura Fantástica

19, outubro, 2010 Sem comentários

É bem conhecida a minha postura de que um escritor, mesmo que se sinta um romancista de carteirinha, deveria primeiro se habituar a escrever contos – até mesmo pela dificuldade que muitos tem em fechar uma ideia. Um dos pontos negativos dessa minha opinião, para muitos, é que não há onde publicá-los no Brasil, já que não temos uma cultura de revistas literárias e seriam poucas as oportunidades.

Com a retomado da literatura fantástica brasileira de 2005 para cá, o cenário tem mudado bastante e muitas chances tem surgido. Algumas vezes, infelizmente, o mercado continua mantendo o vício das antologias-loteamento, seja direta ou indiretamente. Porém, não é raro que surjam boas oportunidades para ter seu trabalho editado, divulgado e, por vezes, até mesmo receber algo por isso – mesmo que seja pouco.

No momento, as minhas sugestões são:

– Na web:

O Brasil é um dos países mais conectados do mundo, com presença maciça em redes sociais e milhares de blogs espalhados por aí. Ter o seu próprio cantinho é sempre bacana, mas muitos sentem falta de ter um editor por trás. O suporte de alguém mais experiente é sempre benvindo e os leitores gostam de um trabalho de seleção e divulgação direcionado. Ficam aqui duas sugestões:

Contos Fantásticos, do incansável Afonso L. Pereira, é aberto para todas as expressões da literatura fantástica, além de publicar entrevistas, divulgar livros e publicar resenhas. Para enviar contos, é só entrar no site, procurar a parte de contatos que o editor irá responder.

1000 Universos , ezine do site Café de Ontem vai estrear em 2011 e já está aceitando contos. É só seguir as regras e colocar mãos a obra.

– Impressos:

O aquecimento do mercado editorial favoreceu o aparecimento de novas editoras e selos dedicados exclusivamente à literatura fantástica. E felizmente nem todos com a visão estreita de que o autor iniciante tem que pagar para trabalhar. Inscrições abertas para as mais diferentes temáticas:

Insanas – as loucuras do universo feminino em histórias escritas somente por mulheres. Nada de romance açucarado ou vampiros ao Crepusculo. O negócio aqui é a crueldade e o sadismo femininos. Sim, é só para mulheres – mudança de sexo é aceita.

VII Demônios – Cada livro, um demônio como padrinho. Cada demônio representa um pecado, um dos nossos lados mais escuros. Cada pecado é homenageado em um livro dessa coleção do Estronho.

Cursed City – Gosta do Velho Oeste? E de Terror? Prato cheio é mais essa antologia organizada pelo Guardião do Estronho. Os fracos aqui não tem vez.

Dieselpunk – Vapor é bom, mas fumaça é muito melhor. Depois do sucesso de Vaporpunk, a editora Draco repete a parceria com o mestre da História Alternativa Gerson Lodi Ribeiro para fazer a primeira coletânea nacional do subgênero dieselpunk. Liguem os motores!

No próximo post, uma lista de editoras para mandar o seu trabalho mais longo.

Afinal, mashup e Ficção Alternativa é a mesma coisa?

5, outubro, 2010 9 comentários

Não, não é. E por isso, acho que posso dizer que ainda não temos nenhum mashup brasileiro.

(Já começo dizendo que só li um dos cinco novos títulos – 4 pela LeYa/Lua de Papel e 1 da Tarja. Mas me fio na palavra de dois autores e um dos críticos mais renomados da Ficção Fantástica nacional e me permito discordar do querido Romeu Martins)

O que é um mashup?

É um fenômeno bem típico da era digital, mas que vem de longe. O mashup acontece quando se pega dois elementos que se misturam para gerar um terceiro. Há aplicações web assim – há músicas assim. E na literatura, também.

(Nas artes visuais, a colagem é um fenômeno bastante conhecido. Um dos meus primeiros trabalhos profissionais foi na parte iconográfica da Coleção Diogo Barbosa Machado na BN. O abade português, no século XVIII, montou a sua coleção de gravuras de forma bem peculiar: cortava o retrato de um livro, a moldura de outro, o texto de outro e por vezes ainda fazia sequências na mesma página. Infelizmente, não tem as imagens digitalizadas ainda. Vocês podem saber mais sobre os retratos no texto que meu orientador de mestrado escreveu sobre a coleção – infelizmente a versão digital também não tem imagens.)

Saindo um pouco da literatura fantástica, recentemente uma jovem – jovem mesmo, estudante de Ensino Médio – publicou um romance que tornou-se um best seller em dias. A fórmula? Misturar trechos de “blogs, romances autobiográficos e de letras de música pop e hip hop” com muito pouco texto original – menos de 25% da obra, que tem no seu final uma lista com 5 páginas só com as fontes do romance. As acusações de plágio foram respondidas pela autora Helene Hegemann como vindas de quem não entende que na cultura atual, o mais importante é a autenticidade e não a originalidade, e que seu trabalho estaria na mesma linha dos mashups de música e imagem. Convincente? Pros jurados do segundo maior prêmio literário da Alemanha, foi.

Então, o que definiria um mashup literário?

O mashup usa o texto. É uma colagem de duas (ou mais) obras, fazendo uma terceira completamente diferente. Não usa somente o enredo, premissas ou personagens. É uma intervenção no concreto do texto, não no seu subjetivo.

E a diferença para a Ficção Alternativa?

A Ficção Alternativa é quando você dá um rumo diferente a histórias já contadas ou a personagens que já existiam. Por exemplo? ‘O xangô de Baker Street’ do Jô Soares ou ‘Um estudo em esmeralda’ do Neil Gaiman deram uma nova visão ao universo ficcional criado por Conan Doyle. ‘A liga dos cavaleiros extraordinários’ do Alan Moore juntou um monte de personagens de autores e universos ficcionais distintos.

(Diferença básica entre F.A. e fanfic? Se o que você está fazendo utiliza material caído em dominio público ou com autorização dos detentores dos direitos autorais, é F.A. – caso contrário, é fanfic )

O mashup, por definição seria um tipo de Ficção Alternativa. A diferença é: para ser um mashup, a base com o que o escritor trabalha não é somente a trama, mas o texto – como já explicamos lá em cima.

Nesse sentido, o mashup entrou na Ficção Fantástica com Pride and Prejudice and Zombies, já resenhado e comentado aqui. A Quirk continuou, com Sense sensibility and sea monsters e o aguardado Android Karenina, além de Dawn of the dreadfuls, uma prequel para PPZ que não usa textos da Auten e portanto é F.A. e não mashup.

Os textos da LeYa e o livro da Tarja são uma iniciativa louvável, mas não são mashup. Eles partem da trama e não do texto. Mas como o sucesso de PPZ colocou o mashup em evidência e há um desconhecimento da Ficção Alternativa, tudo foi colocado no mesmo saco.

O que é bem injusto, pelo menos no caso do livro que li.

Lucio Manfredi é um velho conhecido do fandom, tendo participado de muitas coletâneas. Ele estava devendo uma obra maior e é bem significativo do senso de humor e da iconoclastia do escritor que sua estreia na seara dos romancistas tenha sido com ‘Dom Casmurro e os discos voadores’ – nem vou dizer que ele entende do assunto.;)

O livro é uma recriação deliciosa do texto de Machado, muito mais que um mero trabalho de colar trechos nas partes certas. Sem querer ser mais realista que o rei, ou mais Machadiano que o Machado, ele dá ao livro um sabor próprio sem se afastar do texto original.

Aliás, eu gostei mais do Bentinho do Lúcio, sendo sincera aqui. Ele mantém a obsessão, a paranóia e o ensimesmamento do original, mas ele é um pouco mais irônico e lúcido. Capitu mantém sua ambiguidade – assim como Escobar.

O conflito principal está lá, mantido. A tensão entre os personagens também. A diferença é que Bentinho suspeita que existam seres de outro planeta rondando o Rio de Janeiro – ou isso ou ele está ficando maluco.

A trama extra-triângulo amoroso é cheia de reviravoltas e pistas falsas. Nem todos são o que parecem ser. Alguns são mais, outros menos – e tem vezes em que se é pego completamente de surpresa.

Uma das melhores coisas do livro são as referências. Nessa época pós-moderna, tem sido muito comum o despachar de referências, citações e chaves secretas que só entendidos podem desvendar, transformando o hábito de ler um numa grande caçada às referências: como se ler fosse algo similar a aqueles passatempos de caça-palavras, em que vence o leitor que conseguir encontrar mais. Lucio consegue manter um equilibrio raro nesse quesito. Há as piadas internas, claro, principalmente com uma das maiores influências do autor, P. K. Dick – mas no geral, autores e ideias se cruzam com a trama de Machado e o texto de Lucio Manfredi de forma fluida, bem alinhavada. Não é necessário (re)conhecê-las ou decifrá-las para apreender o livro como um todo – descobri-las só o torna mais divertido ainda.

No twitter e sempre que perguntado, o autor responde que não usou o texto de Machado, no máximo uns 30% – lendo a obra, não creio que tenha chegado a isso. São pouquissimas as frases ou trechos trazidos diretamente do original, fazendo do livro uma Ficção Alternativa.

O autor de ‘Memórias desmortas’, Pedro Vieira, também sempre definiu seu livro mais como uma Ficção Alternativa do que como mashup – até porque a sua intenção sempre foi de dar uma continuidade à história, mais do que recontá-la.

Conclusão?

Não temos mashups nacionais, apesar da grita dos que levam a literatura a sério demais -exemplo aqui. Temos uma boa safra de Ficção Alternativa direcionada ao público adolescente que tem uma imagem super errada dos clássicos.

Se você se animou com isso e está disposto a pegar algum dos clássicos da literatura portuguesa, taí uma listinha de sugestões feitas no Twitter por Antonio Luiz M. C. da Costa, Cirilo Lemos e moi:

– Eurico, O Ciborgue

– A ilha dos amores zumbis

– A Morgadinha-bruxa dos Canaviais

– As pupilas do Senhor Reitor do Inferno

– Amor de Danação

– A Cidade a Vapor e as Serras.

– Dr. Pessoa, Dom de Campos, Sr. Caieiro e Mr. Reis

– Os EspaçoLusíadas

– O crime de Padre Amaro, o vampiro

– Ilustre Casa de Ramires, com treinamento de highlanders portugueses…


As Histórias e as alternativas: afinal, o ‘se’ pode existir?

28, abril, 2010 3 comentários

(Artigo sobre História Alternativa, um gênero da Literatura Especulativa, como complemento a resenha de “Xochiquetzal”, a ser publicada futuramente)

A impossibilidade na Academia

Qualquer pessoa que já tenha adentrado uma faculdade de História fatalmente já escutou a seguinte frase: “o ‘se’ não existe na historiografia”. O que não é verdade, de forma alguma. Existe toda uma corrente, chamada de ‘contrafactual’, que se embrenha nesse terreno espinhoso: conhecendo o que se desenrolou e estabelecendo um ponto de mudança, como teria sido o mundo?

Não é um caminho fácil. Dentro do campo historiográfico, ele é minoritário, quase uma exceção ou um desvio ensaístico que alguns estudiosos tomam para fazer pequenas derivações de seu trabalho. O grande aprofundamento na contrafactualidade se deu mais no ramo da História Econômica, com a aplicação de formulas econometricas, e na História Militar, com a análise de como diferentes resultados em batalhas poderiam influir na resolução do conflito maior. O primeiro exemplo acadêmico foi Railroads and American Economic Growth: Essays in Econometric History (1964), de Rober Fogel, historiador e economist que ganhou o Nobel de Economia em 1993 por seus estudos na área da cliometria, que é o uso de métodos quantitativos para a análise do processo histórico.

No trabalho de 1964, Fogel fez uma analise comparativa entre os dados reais dos EUA em 1890 e uma projeção alternativa na qual as ferrovias não estariam presentes, limitando os meios de transporte às estradas e rios. O resultado de sua análise, muito controverso, mostrava que as ferrovias tiveram um impacto muito menor na formação econômica americana do que era tido como certo até então. Fogel prosseguiu em seus estudos de cliometria, porém não se aprofundou na história contrafactual.

Dentro da Historiografia, a linha contrafactual segue de maneira errática, baseando-se principalmente em ensaios curtos, geralmente sobre História Militar ou pegando eventos “importantes” como pontos de divergência da História tida como real. Aliás, é uma das grandes críticas feitas a esse campo. Tendo em vista o pouco aprofundamento das pesquisas, as análises contrafactuais, dificilmente estas conseguem compreender uma noção de contexto, não explicando as relações de ruptura e continuidade e alienando os aspectos sócio-culturais do processo histórico. Ela surgiria mais como uma inversão direta da velha História Factual, derrotada pela Nova História francesa, do que um acréscimo a crescente preocupação da Academia com a relação entre o micro e o macro-histórico.

No Brasil, a História Contrafactual se resume basicamente a alguns ensaios publicados em revistas e jornais de grande circulação. E mesmo assim, muitas vezes são escritos em tom mais de ensaio do que de apresentação de hipóteses – como o de José Murilo de Carvalho para a Revista de História da Biblioteca Nacional, sobre a possibilidade da Corte não ter saído de Lisboa em 1808, na Invasão Napoleônica. Raramente, estes estudos são feitos em tom mais sério, como o de Mário Maestri para o Jornal Zero Hora, sobre a Revolução Farroupilha,ou o de Osvaldo Pessoa sobre um método para desenvolver Histórias contrafactuais da Ciência. Da produção internacional, somente a coleção de ensaios dirigida por Robert Cowley foi publicada, com prefácio de Mary Del Priore.

História Alternativa: a narração do ‘não-tempo’

Se no campo acadêmico, o ‘e se…’ é malvisto e criticado, na ficção, as narrativas do que poderia ter sido tem encontrado cada vez mais espaço. Pode-se traçar sua origem longingua à narrativa de Tito Lívio, que se pôs a imaginar como seria uam guerra entre Roma e o império de Alexandre, no livro IX de Ab urbe condita (“Desde a fundação da cidade”).

Porém, durante a Antiguidade e a Idade Média as fronteiras entre ‘real’ e ‘imaginário’ – e por conseqüência entre ‘possível’ e ‘impossível’ nas obras de cunho memorialístico ou histórico eram tênues e quase existentes. É difícil dar um exemplo concreto de especulações nesse sentido, principalmente para a Europa cristã, embora alguns acadêmicos tenham visto ecos de hipóteses de ucronia na refutação feita por Al-Ghazali das idéias de Avicena.

Para quem gosta de estabelecer pontos de origens, provavelmente o primeiro exemplo de História Alternativa como narrativa intencionalmente ficcional e criadora de uma nova realidade a partir de um ponto de divergência foi Tirant le blanch. Escrito dentro da popular tradição dos romances de cavalaria, conta a história de Tirant, guerreiro que dentre muitos feitos, impede que Constantinopla seja tomada pelos turcos em 1453, impedindo a queda do Império Bizantino, do qual se tornou herdeiro. A obra começou a ser escrita por Joanot Martorell em 1460, quando o Ocidente ainda recuperava-se do choque da perda definitiva da Terra Santa para os muçulmanos, e reflete muito a nostalgia e a melancolia do final da Idade Média e do declínio da cavalaria. Com a morte do autor, a obra foi supostamente terminada por Martí Joan de Galba e publicada em 1490, tendo influenciado o ciclo tardio de romances cavaleirescos da península Ibérica nos séculos XVI e XVII.

Um exemplo melhor acabado, que teve recepção popular como História Alternativa – o Tirant era um romance de cavalaria com um ponto de divergência ­– foi Histoire de la Monarchie universelle: Napoléon et la conquête du monde (1812–1832), do francês Louis Geoffroy. Publicado em 1836, com uma edição revisada em 1841, ambas já acessíves no projeto Gallica, o livro conta como Napoleão derrotou a Rússia em 1812, domina a Inglaterra em 1814 e se torna o benevolente governador do mundo, promovendo uma grande evolução tecnológica. O autor inclusive narra a descoberta de um novo planeta, Vulcan.

Mas a lingua na qual as ucronias tornaram-se mais populares foi o inglês. Os estudiosos consideram que o primeiro texto de História Alternativa anglofono foi ‘P.S. Correspondence’, em que um homem era tido por louco por ter acesso a uma realidade diferente, na qual diversas personalidades mortas ainda existiam. Já o primeiro romance foi “Aristopia: A Romance-History of the New World”, publicado em 1895. Diferentemente do conto de Hawtorne, o romance de Castello Holford não trabalhava com realidades paralelas. Sendo fruto da onda de literatura utópica do final do século XIX, tinha uma grande particularidade. Ao contrário das utopias usuais, que colocam o lugar perfeito em um futuro distante ou em um lugar praticamente inatingível, Holford estabeleceu a origem do seu exemplo da sociedade no passado. Na obra, um conjunto de pioneiros encontra uma montanha de ouro puro, no inicio da colonização da América do Norte. Influenciado pela Utopia de Morus, o líder dos colonos funda a Aristopia, um estado forte e benevolente, que prospera e acaba por dominar todo o território ao norte do Rio Grande.

No século XX, a História Alternativa se uniu às histórias de extrapolação científica, principalmente de viagem no tempo e realidades paralelas. Por essa aproximação, muitos ainda consideram a História Alternativa como sendo um ramo da Ficção Científica, apesar de suas origens diversas. É impossível quantificar a produção de História Alternativa no século passado, embora o site Uchronia mantenha uma lista bastante abrangente de romances, contos, ensaios e demais trabalhos de História Alternativa.

Há vários autores e obras relevantes a serem considerados, dentro da literatura de gênero, aquela produzida por autores dedicados a Ficção Especulativa, e mesmo fora dela, por autores mais inseridos no mainstream literário. Pois apesar de seu elemento de extrapolação do real, a História Alternativa atraiu inclusive autores avessos à literatura fantástica.

Vários autores de Ficção Científica e Fantasia escreveram narrativas em que o processo histórico alterou-se em algum momento, apresentando assim uma realidade alternativa a nossa. Alguns fizeram de forma independente, ou seja, contaram a sua trama sem relacioná-la com o vivido na Linha Temporal Oficial. É o caso de O homem do castelo alto de P. K. Dick: neste interessante jogo de metalinguagem, o Eixo ganhou a Segunda Guerra Mundial e um autor escreve um livro de História Alternativa em que os aliados venceram.  Harry Turtledove, um dos autores mais prolíficos dentro do gênero, escreveu várias histórias dessa forma, como O dilema de Shakespeare, em que a Armada Espanhola mostrou-se realmente invencível e invadiu a Inglaterra, colocando William Shakespeare a serviço de Felipe II.

Turtledove também se aventurou em outro ramo da História Alternativa, aquele em que as várias linhas temporais se comunicam através de uma agência de viajantes ou patrulheiros. Foi essa premissa da sua série Crosstime Traffic, série para ‘jovens adultos’ sobre uma agência de comércio e turismo envolvendo viagens no tempo. E é também o ponto de partida para a série de histórias da Patrulha do Tempo de Poul Anderson, na qual por vezes a História é alterada como conseqüência das viagens no tempo.

Autores não identificados com a literatura especulativa também contribuíram para o gênero. É o caso de Complô contra a América, do elogiado Phillip Roth, em que Charles Lindbergh torna-se presidente dos EUA em 1940, fazendo crescer o anti-semitismo no país.  O controverso autor de Lolita, Vladimir Nabokov, também se aventurou a imaginar uma realidade diferente, a partir de um ponto de convergência em Ada ou Ardor: Crônica de uma Família, tido como o seu último “grande romance”. A trama se passa em uma América do Norte que foi parcialmente colonizada pela Rússia czarista e tem várias semelhanças com O homem do Castelo Alto, principalmente por jogar com as realidades e alternativas.

O movimento steampunk em várias obras se aproxima da História Alternativa, como no livro seminal do gênero The difference engine de Bruce Sterling e William Gibson. Porém, de modo geral podemos dizer que nesse movimento a estética do vapor é mais importante do que estabelecer as mudanças a partir de um ponto de convergência em relação a nossa Linha Temporal.

História Alternativa no Brasil

Gerson Lodi-Ribeiro, um dos maiores especialistas no assunto, fez em 1998 uma lista completa das obras de História Alternativa disponíveis em língua portuguesa – incluindo aí traduções. A listagem desanima pelo tamanho, já que ocupa apenas 3 páginas do Ensaios de História Alternativa.  E se constitui majoritariamente de autores anglofonos: apenas sete brasileiros (entre eles o próprio Gerson e um seu pseudônimo) constam, com apenas um romance, A casca da serpente, de J.J. Veiga. No livro, Antônio Conselheiro não morre na queda de Canudos e prossegue em sua missão de profeta.

Porém, o grosso da produção é de Gerson, considerado o grande mestre do gênero no país, já tendo sido indicado a um dos principais prêmios dedicados à literatura de História Alternativa.

Felizmente, a listagem, nestes últimos doze anos, tornou-se bastante defasada. A produção nacional intensificou-se, com o apoio do próprio Gerson, que organizou uma coletânea dedicada a repensar a História brasileira dentro do ponto de vista da literatura especulativa, Phantastica Brasiliana. Outros nomes foram criando força dentro do gênero, como Roberval Barcellos e Ataíde Tartari, e Gerson teve sua coletânea Outros Brasis finalmente lançada no país. Escritores de relevância dentro do fandom vem arriscando passos nesse sentido, como Carlos Orsi, Miguel Carqueija (ambos com obras lançadas pela editora independente Scarium em 2009) e Roberto Causo, cujo romance de História Alternativa Selva Brasil foi lançado no primeiro semestre de 2010. Surgiu mesmo uma antologia de contos, do autor português Bruno Fachoda, publicada pelo sistema on demand.

A tradução se intensificou, trazendo obras mais recentes como o já citado livro Complô contra a América e Associação Judaica de Policia, de Michel Chabon, e clássicos do gênero como O homem do castelo alto e A máquina diferencial (a ser lançada no segundo semestre de 2010).

Alguns fatores podem ter contribuido para isso: a maior divulgação da especulação histórica na mídia, por meio de ensaios ou mesmo documentários televisivos, a presença maior de títulos – que geram um ciclo de interesse continuo, a mudança nos currículos escolares na área de História, que se tornaram mais dinâmicos e interessantes.

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Servir no Céu ou reinar no Inferno?

12, abril, 2010 2 comentários

“A vida de Dolens ardia entre dois fogos: o lume do sonho e as faíscas do pesadelo.”

O centésimo em Roma - capa

Vocês sabem o que países tão diferentes entre si como Romênia, Israel, Portugal e Inglaterra tem em comum? Um dia, muitos anos atrás, todos – ou pelos menos os territórios que pertencem a eles hoje – fizeram parte da mesma unidade política, o Império Romano.

Nossas instituições, nossa forma de governo, nossa ‘religião oficial’… boa parte da origem da cultura do Ocidente vem de Roma e seus dominios. Urbi et orbi. Mesmo a língua em que escrevo esta resenha é romana – ou melhor, ‘romance’.

A cidade na Península Itálica virou nosso eterno Fantasma do Natal Passado, ponto de comparação quase universal. Por exemplo a própria ideia de ‘Império’, quimera perseguida na Idade Média por Carlos Magno e seus descendentes e renascida por várias vezes em palavras e conceitos. Kaiser, czar… palavras que denominam o governante mais poderoso vem de César, o título imperial romano.

(Não vou me alongar aqui nas questões históricas dos impérios coloniais e os do século XIX, mas deixo aqui a recomendação: leiam Eric Hobsbawn, ‘A era dos impérios’)

Hoje, a comparação sempre constante é com a influência política e econômica dos Estados Unidos – o chamado ‘império americano’. Inclusive o emblemático 11 de setembro de 2001 foi comparado à queda de Roma, invadida pelos ‘bárbaros’.

A Roma histórica caiu fisicamente, deixando o seu legado institucional a cargo da religião que a príncipio foi sua vítima, depois um misto de algoz e herdeiro, o cristianismo. A Roma ‘americana’, invadida por ‘godos’ em nome de Alá, permaneceu inteira, se não intacta. No entanto, a invasão deixou impressões que não se apagaram.

Foi essa impressão um dos motivos que levaram o escritor e roteirista Max Mallmann a passar seu quinto romance em Roma – o Império e a cidade. A influência latina no mundo ocidental e a paixão do autor pelos cenários urbanos (três de seus livros anteriores passam-se em cenários urbanos, mesmo que dentro de uma base espacial) também influiram, além de motivos inconscientes.

Roma é uma constante na literatura. De Gore Vidal a Marion Zimmer Bradley, vários foram os autores que se aventuraram pelos caminhos que levavam a capital do mundo. E se formos acreditar nos ditos populares, todos levam lá. Então, todos os gêneros já passearam pelas estreitas ruas entre as sete colinas: Ficção Científica, Fantasia, História Alternativa, Romance, Terror e Suspense. Este último tornou-se tão popular que gerou um subgênero, o dos ‘detetives de toga‘.

E foi por essa trilha que o gaucho seguiu em ‘O centésimo em Roma’, seu terceiro livro pela editora Rocco, lançado neste mês de abril. Ao acompanharmos a vida e as ambições de Publius Desiderius Dolens, centurião que acaba de chegar na cidade para ser o novo primus pilus dos pretorianos, somos envolvidos na trama do assassinato de um senador. A contragosto, Dolens aceita fazer a investigação, ao mesmo tempo em que tenta escalar a complicada hierarquia social romana para chegar ao apice possivel a ele, a ordem equestre.

E nisso, conhecemos a Roma com sua cara múltipla, de gladiadores, judeus, gregos, cristãos, padeiros, prostitutas, sacerdotes falsos e verdadeiros. Inclusive somos apresentados a um legítimo lusitano, dono de uma taverna.

A história desse ambicioso romano, que saiu de um dos bairros mais miseráveis da cidade, é contada em duas linhas narrativas. Pois a base de ‘O centésimo em Roma’ é o livro ‘Vita Dolentis’, de Quintus Trebellius Nepos, que foi comandado pelo centurião. Entremeados com trechos da narrativa contemporânea, testemunhada por Nepos, há trechos em que acompanhamos de um outro ponto de vista, nos quais é a voz do autor brasileiro que fala.

É impossível não se identificar com o protagonista, complexo e paradoxal, dividido entre o dever e a ambição, o amor pela mulher germana e a pátria romana. Dolens é irônico e cruelmente sincero ao refletir sobre seu próprio valor, muito mais do que Nepos – a ironia que é quase marca registrada de Max Mallmann.

A extensa pesquisa histórica traz profundidade ao cenário, apresentado de forma magistralmente suave no decorrer do livro. Roma nos parece tão viva quanto Nova Iorque ou o Rio de Janeiro, e os personagens, apesar de não parecerem romanos anacrônicos, nos dão a sensação de serem conhecidos. Ambientado no ‘Ano dos Quatro Imperadores’, em que a instabilidade ameaçava a continuidade do império,  o livro trata da política romana de uma forma que a torna estranhamente familiar para nós, brasileiros.

Sem contar, claro, os deliciosos pensamentos céticos/heréticos de Dolens tentando entender os cristãos, aquelas figuras estranhas que começam a aparecer em Roma.

No final, o autor acrescentou um posfacio, onde explica o processo de confecção e pesquisa do romance, inclusive listando algumas das obras mais importantes consultadas (por aquelas engraçadas coincidências, uma é o dicionário de latim de Ernesto de Faria, pai de minha chefe na Biblioteca Nacional. Curiosamente, não fui que o indiquei ao autor), as referências implicitas e explicitas, além de lista de personagens.

Para quem gosta de mistério ou de Roma – ou de ambos – uma leitura insuperável.

***

Agora, para você, meu colega escritor iniciante:

‘O centésimo em Roma’ é leitura importantíssima, por alguns pontos:

– Pela meticulosidade e precisão da pesquisa envolvida

– Pela mostra de como trabalhar com referências

– Pela boa construção de personagens e tramas

– E por mostrar que um brasileiro pode escrever sobre Roma com perfeição.

Atenção: A resenha foi escrita com base numa proof-reading. Quaisquer incorreções serão corrigidas com o livro final em mãos

Autor: Max Mallmann

ISBN: 978-85-3252-507-9

Gênero: Histórico

Formato: 16cm x 23cm

Páginas: 424

Capa: Christiano Menezes (estúdio Retina78)

Preço de capa: R$ 49,00

Lançamentos:

Rio de Janeiro- quinta-feira, dia 15 de abril, na Livraria da
Travessa de Ipanema
(Rua Visconde de Pirajá, 572), a partir das 19:30.

Porto Alegre – 6 de maio, também uma quinta-feira, no mesmo
horário, na Livraria Cultura (Bourbon Shopping Country
(Avenida Túlio de Rose, 80 – lj. 302).

Site do autor

Sorteio do livro nas comunidades Ficção Científica e Escritores de Fantasia e FC

Post no Comuna FC

O Jogo de Tronos

3, fevereiro, 2010 5 comentários

“Quando você entra no Jogo de Tronos, você ganha ou morre. Não há um meio termo.”

Conflitos em livros de Fantasia são resolvidos como, pergunto a vocês.

E quase aposto que em poucos minutos, o que virá a sua mente são as batalhas de Helm ou os ents destruindo Isengard. Ou criancinhas sendo perseguidas por pessoas muito más que as querem eliminar, resolvendo assim qualquer problema.

Levando em consideração que grande parte do imaginário da Fantasia – principalmente no que diz respeito à High Fantasy e a Sword and Sorcery – nada podia ser mais irreal.

Guerras custavam – e ainda custam, vide o orçamento do Sr. Nobel da Paz – caro, em termos materiais e sociais. Elas tiram o camponês do campo para fazer parte da infantaria e o nobre do castelo para constituir a cavalaria. Os peões que morrem desfalcam a cadeia produtiva, principalmente levando em consideração que são tempos de alta mortalidade infantil. E a morte de nobres em batalha podem destruir domínios e nações – que o digam Portugal e seu rei-cruzado D. Sebastião.

Portanto, meninos e meninas, a guerra entre dois poderes conflitantes, além de último esforço, era principalmente apenas mais uma parte do grande jogo do Poder. Havia muitas outras estratégias postas em prática pelos participantes do jogo de tronos: casamentos, alianças diplomáticas, troca de favores, subornos, corrupção, traições, assassinatos.

A palavra que era dada hoje podia não valer mais nada amanhã. O Imperador Carlos V libertou Francisco I da França mediante a promessa de ter de volta a Borgonha que pertenceu a seu bisavô. Morreu sem rever Dijon. O bispo que sagrava o rei muitas vezes conspirava para tirá-lo do trono.

Mas e daí, Ana? É Fantasia, poxa, tem magos, dragões, elfos e o caramba-a-quatro. Quem liga pro que é real?

Bem, eu ligo para o que é verossimel. Ou seja, tudo bem se explodirem bolas de fogo em cima de um dragão negro cavalgado por uma mulher de cabelos verdes e seios pintados de azul- desde que aquilo não me tire do livro. Explicando: se a toda hora eu leio algo que eu precise pensar ‘mas é só fantasia’, acaba qualquer chance de imersão naquele universo. E isso é um dos meus problemas com ‘Senhor dos Anéis’ e ‘Harry Potter’ (MEUS problemas, ok? Os livros não são ruins e nem eu odeio Tolkien/J. K. Rowling. Mas tem coisas nas obras de ambos que me incomodam – e eu não os colocaria no meu top dez de autores de Fantasia). Oras, é algo que me incomoda em ‘As Brumas de Avalon’ e eu sou fã de carteirinha da Marion Zimmer Bradley. (A saber: o detalhe irritante nas ‘Brumas’ é a estranha religião celta com apenas dois deuses, uma wicca avant la lettre).

Além disso, a história européia pré-Revolução Francesa tem sido a grande inspiração da literatura de Fantasia . Não dá para ignorar a ‘realidade’ histórica na construção da obra ficcional. E principalmente não dá para esquecer a própria realidade ficcional. Guerras não são simplesmente magos e bolas de fogo e dragões. Mesmo em livros de Fantasia.

E o que torna a série ‘A song of Ice and Fire’ diferente, um passo a frente da maioria dos épicos fantásticos que você já leu?

george-martin_foto

A crueza de sua verossimilhança.

Ao enredar o leitor no conflito pelo poder em Westeros, o continente em que se desenvolve a maior parte da saga, George R. R. Martin não cai na armadilha de muitos outros. Não há romantismo ou ideais que durem nessa disputa. O sexo é duro e bastardos rangem os dentes ao serem humilhados. Batalhas não são descritas como épicos combates entre semi-deuses, mas do jeito sujo e rasteiro como aconteciam. Um garotinho que cai do telhado não se salva miraculosamente.

Martin chega a ser malvado com o leitor, matando personagens carismáticos e importantes sem dó, nem piedade. E ele mesmo diz que a intenção dele é que você, leitor, ao virar a página, tema pelo destino das pessoas que estão ali.

Isso vem, em parte, por Martin não ter se inspirado em mitologia ou em épicos antigos, como Tolkien. A grande musa do autor é Clio, a musa grega da História, e a grande referência para os acontecimentos e o cenário é a Guerra das Duas Rosas.

(Ok, ok, meninos. Eu sei que o programa de História das nossas escolas anda um lixo e provavelmente vocês boiaram. Bem, a Guerra das Duas Rosas foi uma disputa pelo poder na Inglaterra no século XV que envolveu duas casas nobres, os Lancaster e os York, representados cada um por uma rosa. A guerra foi consequência direta da guerra dos Cem Anos e alterou o quadro político inglês.)

Foi nessa referência que a série me ganhou e eu comprei o primeiro livro. E não me decepcionei.

Apesar do nome ser pouco conhecido aqui no Brasil, George Martin não é nenhum novato. Começou a escrever no começo da década de 1970, tendo de lá para cá trabalhado com uma grande diversidade de gêneros e de mídias. Suas únicas obras a terem aparecido por aqui foram um conto na edição brasileira da Isaac Asimov Magazine, a telessérie ‘A Bela e a fera’ (ok, crianças, eu conto qual é: uma em que uma policial encontra uma fera vivendo no esgoto de NY) e a adaptação de WildCards para GURPS no suplemento Supers (os livros originais não chegaram a sair por aqui, só uma minissérie de HQs publicadas pela editora Globo – sim, a Globo publicou quadrinhos). Já passou pela FC hard e soft, pela Fantasia Contemporânea/Urbana, pelos Supers…

A melancolia é um traço marcante. E as canções de gelo e fogo também são melancólicas, acentuadas pela aproximação de um inverno que se anuncia longo e cruel. Quatro de seus sete livros já foram publicados – A game of thrones, A clash of kings, A storm of swords e A feast for crows, e o quinto é esperado para breve há quatro anos – A dance with dragons. O primeiro livro saiu em 1996, chamando imediatamente a atenção dos fãs de Fantasia e aos poucos tornando-se um grande sucesso. Os direitos forma vendidos para a HBO que começou as filmagens do episódio piloto no final de 2009.

No continente de Westeros – a tradução portuguesa chamou de Ponente – o Inverno não chega há anos. Porém, começa a dar seus primeiros sinais um pouco antes da morte do rei Robert, que por sua vez tinha tirado o trono das mãos do último rei da dinastia Targaryen. O grande problema é que um dos nobres mais importantes de Westeros, Eddard Stark, desconfia da legitimidade dos filhos do rei  com Cersei Lannister. Essa suspeita dessa bastardia após a morte de Robert faz com que outros pretendentes ao trono aparecem, vindos de outras famílias e com que os antigos aliados do rei tenham que repensar suas estratégias.

Do outro lado do mundo, em outro continente, a filha do último rei Targaryen, sonha com o trono. Daenarys é guiada pela ambição de seu irmão mas logo vê que ele seria incapaz de governar. Mais forte e decidida que ele, assim que se casa com um poderoso chefe de guerra, ela toma as rédeas de sua própria vida e passa a arquitetar a tomada do Trono de Ferro.

E enquanto isso, o vento frio sopra do Norte, fazendo com que os guardas da Muralha – uma imensa estrutura de pedra e gelo, construída com o auxilio de magia – fiquem alertas. Os rumores que os Outros, uma raça antiga e há muito julgada extinta, estejam ativos tornam-se cada vez mais fortes – até que finalmente a verdade surge.

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A narrativa de Martin é seca, direta e – como já dito – tem um grande traço de melancolia. Os personagens são, em sua maioria, extremamente empáticos. Não tem como não se importar com o que vai acontecer com eles, mesmo que seja para torcer por sua desgraça. O anão Tyrrion, que com sua deformação é um contraste a beleza dos seus irmãos, os gêmeos Lannister, teria tudo para ser um vilão odioso, porém é um dos personagens mais cativantes.

E isso faz toda uma diferença.

Para que um personagem literário ganhe vida, é preciso que os leitores sintam o que ele sente. Consigam se colocar no lugar dele e ver o cenário com os seus olhos. Martin faz isso muito bem. Um dos artifícios que usa é o de dar a cada um de seus capítulos um Ponto de Vista diferente. Ao fazer isso, não muda simplesmente o cenário ou o papel de protagonista daquele trecho. O estilo de narrar a história varia de acordo com quem nos traz aquele pedacinho da
história. Assim, quando se junta um escritor competente, um cenário verossímil, uma referência histórica bem estudada e personagens cativantes, não há como não ter uma das melhores sagas de Fantasia jamais escritas ou publicadas.

E sabe o que é melhor ainda?

O primeiro livro da saga, ‘A game of thrones’, vai ser lançado no Brasil no segundo semestre de 2010 pela editora Leya. Ao pensarmos que em 2009 tivemos ‘O nome do vento’ de Patrick Rothfuss e ‘A roda do tempo’ de Robert Jordan chegando aqui, fica mais claro que o mercado editorial brasileiro começa a pensar em sair do infanto-juvenil/bestseller no caso da literatura fantástica. Ainda falta muito para um mundo ideal, como autores clássicos que jamais aportaram por aqui, mas o leitor de Fantasia já pode olhar com otimismo para o futuro.

**

Agora, para você, meu colega escritor iniciante:

LEIA o livro do Martin. Sim, Tolkien foi muito importante – e é uma das influências assumidas do autor – porém há mais no mundo da Fantasia do que a Terra Média.

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Retrospectiva Crítica – Antologias, Coletâneas e Ebooks (2)

28, dezembro, 2009 7 comentários

Antes de mais nada, quero agradecer a divulgação e a acolhida desse IMENSO trabalho de compilação. E claro, muito obrigada a quem está adicionando mais coisas por aqui!

A nossa retrospectiva gerou uma contraparte lusa, pela minha xará Cristina Alves. Mesmo considerando as diferenças de tamanho do mercado, é muito impactante ver como a nossa produção é maior.

Continuando…

Se foi dificil encontrar resenhas e apreciações críticas para os romances, a tarefa foi ainda mais inglória no caso das coletâneas e antologias.

Parece que, ao contrário do mercado americano – nosso espelho mais apreciado, aqui há um medo excessivo da crítica. Fica como sugestão aos nossos romancistas e organizadores: incentivem a produção de resenhas. Vejam sites que sejam bons nisso e enviem exemplares da obra. Pode ser o melhor investimento da sua carreira literária.

Os ebooks, tentativa incipiente em território nacional, tiveram pior sorte ainda. Somente Carlos Orsi e Simone Sauressig, nomes importantes da 2a Onda de FC brasileira, tiveram seus trabalhos virtuais comentados por Romeu Martins e Cesar Silva, respectivamente.

(Prosseguimento: hoje a noite, publico um post sobre Redes Sociais e literatura fantástica. Amanhã, saem: um post sobre os livros de não-ficção, outro sobre zines e revistas e um LONGO post sobre os sites informativos. A partir de 4a feira, até 6 de janeiro, resenhas inéditas e exclusivas de Os dias da peste, Xochiquetzal, Invasão, Padrões de Contato, Dragões de Eter 2, Black Rocket 3, Fantasma na Máquina, Steampunk, Contos Imediatos, Empadas e Morte, Deixando de Existir e A Travessia. No dia 6, encerramos com um post falando do prognóstico para 2010, que como todo mundo sabe é o ano em que faremos contato)

Antologias de autor

AnaCrônicas
Ana Cristina Rodrigues

Site da Autora

Resenha na Carta Capital
Resenha no Homem Nerd
Resenha na Scarium
Resenha na Rede RPG
Resenha no Leitura Escrita
Resenha de Lucio Manfredi
Resenha de Fernando Trevisan

Antologia do Absurdo
Victor Melloni

Blog do Autor

Resenha na Biblioteca Mal Assombrada

Grafias Noturnas
L. F.  Riesemberg

Blog do Autor

Resenha na Livraria Outubro
Resenha na Biblioteca Mal Assombrada
Resenha no Cantinho da Tati

A Ira dos Dragões e Outros Contos
Estus Daheri

Site da Editora

Resenha na Taverna do Goblin

A mudança das estações
Susana Lorena

Site da Editora

Um salto na escuridão
Henry Evaristo

Site do Autor

A Sete Palmos
Waldick Garrett

Site do Autor

Taikodom: Crônicas
Gerson Lodi-Ribeiro

Site do jogo

Resenha de Fernando Trevisan
Resenha na Carta Capital

Universo subterrâneo
Danny Marks

Site do Autor

Coletâneas

Alterego
Octavio Cariello

Site da Editora


Cartas do fim do mundo
Claudio Brites e Nelson de Oliveira

Site da Editora

Contos Imediatos
Roberto Causo

Site da Editora


Dias Contados
Ricardo Delfin e Danny Marks

Página na Livraria Cultura
Dimensões.br
Helena Gomes

Página na Martins Fontes

Draculea
Ademir Pascale

Página no Portal Cranik

Espelhos Irreais
Ana Cristina Rodrigues

Site da Fábrica dos Sonhos

Resenha de Fernando Trevisan
Resenha de Muhsi
Resenha no Homem Nerd
Resenha no Aguarras
FC do B 2
PHB

Site da Editora

Fiat voluntas tua
Monica Sicuro e Rubia Cunha

Site da Editora

Trailer

Ficção de Polpa 3
Samir Machado

Site da Editora

Comentários de Tibor Moricz

Futuro Presente
Nelson de Oliveira

Site da Editora

Resenha no JB
Resenha de Octavio Aragão
Resenha na Carta Capital
Resenha no Homem Nerd

Galeria do Sobrenatural
Silvio Alexandre

Site da Editora
Imaginários 1
Imaginários 2

Tibor Moricz, S. Stockler e Eric Novello

Site da Editora

Resenha na Taverna do Goblin
Resenha na Carta Capital

Invasão
Ademir Pascale

Site da Editora


O livro vermelho dos vampiros

Luiz Guedes

Site da Editora
Marcas na parede
Hanna Liis-Baxter

Site da Editora

Metamorfose
Ademir Pascale

Página no Portal Cranik

Trailer

Pacto de Monstros
Rubia Cunha e Monica Sicuro

Site da Editora
Paradigmas 1
Paradigmas 2
Paradigmas 3

Richard Diegues

Site da Editora

Resenha do vol. 1 por Cristina Alves
Resenha do vol.1 no Aguarrás
Resenha do vol.1 na Rede RPG
Resenha do vol.1 no Lote do Betão
Resenha do vol.1 no Paragons
Resenha do vol.1 no Aumanack
Resenha do vol.1 no Leitura Escrita
Resenha do vol.2 por Camila Fernandes
Resenha do vol.2 por Cristina Laisatis
Resenha do vol.3 por Giseli Ramos
Resenha do vol.3 no Homem Nerd

Sinistro
Frodo Oliveira

Site da Editora
Solarium 1
Solarium 2
F
rodo Oliveira

Blog da coleção

Resenha no Homem Nerd
Comentário no Mensagens do Hiperespaço
Steampunk
Gian Celli

Site da Editora

Comentário no Correio Fantástico
Comentário no World SF
Comentário no Mensagens do Hiperespaço
Resenha de Larry Nolen (em inglês)
comentada no Cidade Phantastica
Twitterresenha de Edgar Refinetti no Cidade Phantastica
Resenha de Ricardo França no Cidade Phantastica
Resenha de Pedro Vieira
Resenha de Giseli Ramos
Resenha na revista online RRAULR
Resenha na Paragons
Resenha de Bruno Schlater

Território V
Kizzy Ysatis

Site da Editora

Resenha no Aguarrás

Retrospectiva Crítica – Romances (1)

27, dezembro, 2009 9 comentários

Bom, vamos continuar nossa caminhada pelo ano de 2009.

Com a quantidade de bons lançamentos, a efervescência de blogs também foi grande. Claro que quantidade não necessariamente implica qualidade. A grande maioria dos blogs limitou-se a repetir os releases e quando havia comentários estes foram rasos e resenhas bastante indignas desses nome.

Nessa primeira parte da retrospectiva, iremos listar os romances de 2009, com um link para maiores informações além de todas as resenhas que pudermos encontrar. Se você, autor ou resenhista, sentir falta do seu livro ou da sua resenha, é só entrar em contato.

Romances/Novelas

Além da Terra do Gelo – A jornada do Elohin
Victor Maduro

Site Oficial

Trailer

Resenha no Leitura Escrita reeditada no site Paragons

Alma e Sangue: O Despertar do Vampiro (reedição)
Alma e Sangue: O império dos Vampiros

Kara e Kman: uma saga de Alma e Sangue

Nazarethe Fonseca

Blog oficial

Resenha do vol. 1 no Leitura Escrita
Comentário do vol.2 no Magia de Criar

Anjo de Dor
A travessia

Roberto Causo

Site da editora Devir

Comentário no Mensagens do Hiperespaço sobre ‘Anjo de Dor’
E sobre ‘A Travessia’
Resenha do Homem Nerd sobre ‘A travessia’
Resenha da Scarium Online sobre ‘A travessia’

O arqueiro e a feiticeira (reedição)
Kymaera
A tríade

Helena Gomes

Site da autora

Comentário no Mensagens do Hiperespaço sobre ‘O arqueiro e a Feiticeira’
Resenha de ‘O arqueiro e a Feiticeira’ no Ficção Científica vs Realidade

Crônica dos Senhores do Castelo
Gustavo Brasman e G. Norris

Filme Promocional

Site

Deixando de existir
Goulart Gomes

Site do Autor

Dias da Peste
Fábio Fernandes

Site da Editora

Comentário de José Roberto Vieira
Comentário de Ana Cristina Rodrigues
Resenha de Giseli Ramos
Resenha de Ivan Hegenberg
Resenha de Lucio Manfredi


Dragões de Éter: Coração de Neve
Raphael Draccon

Site do Autor

O Elo
Marcello Salvaggio e Valerio Oddis Jr

Site dos Autores

Trailer

Ethernyt
Marson Alquati

Site do Autor

Trailer

Resenha no Liber Imago

Guardiões do Tempo
Nelson Magrini

Blog do Autor

Resenha no Dicas de Leitura

Kaori
Giulia Moon

Blog da Autora

Trailer

Comentário na Carta Capital
Resenha no Twilighters

Resenha no ARGCAst
Resenha no Ficção Científica vs. Realidade
Resenha no Biblioteca Mal-Assombrada
Resenha de Kizzy Ysatis
Resenha no Vitrine das Ideias
Resenha de Volmar Camargo

O livros de Laios
O livro de Iazmein
Jorge Tavares

Site do Autor

O que o olho vê
Carlos Orsi

Site da Editora

Comentário no Mensagens do Hiperespaço
Resenha de Tibor Moricz
Resenha de Romeu Martins no Overmundo

Padrões de Contato – reedição
Jorge Calife

Site da Editora

Resenha no Homem Nerd

Relíquia
Gustavo Drago e Nana B. Poetisa

Site da Editora

Tempo das Caçadoras
Miguel Carqueija

Site da Editora

Resenha no Homem Nerd

Vale dos Elfos: O caminho para a montanha do Grande Ancião
Atila Siqueira

Blog do Livro

O vampiro da Mata Atlântica
Martha Argel

Blog da Autora

Comentário na Carta Capital
Resenha na Biblioteca Mal Assombrada
Resenha de Lucas Rocha

Vinganças de Sangue
Kampos

Blog do Autor

Xochiquetzal
Gerson Lodi-Ribeiro

Site da Editora

Comentário no Mensagens do Hiperespaço

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Adeus Ano Velho, feliz Ano Novo…

26, dezembro, 2009 19 comentários

Quase tão tradicional quando o especial do Roberto Carlos é o hábito das retrospectivas.

Logo, não vamos ficar de fora.

Fiz uma lista – o mais completa que me foi possível – dos lançamentos brasileiros de literatura fantástica. Não inclui livros infanto-juvenis, mas levei em consideração editoras independentes, por demanda, coletâneas pagas, ebooks, sites, redes sociais…

Foi impossível levantar os lançamentos da Novo Século, All Print, Biblioteca 24×7 e Clube dos Autores, e provavelmente deixei passar muita coisa das demais editoras. Portanto, se você é autor, publicou em 2009 e seu nome/livro não constam, entra em contato. Essa retrospectiva está aberta a edições.;) (Primeira modificação já feita! Links inseridos, livros adicionados!) (2a modificação feita!!! Mais obras adicionadas!!!)(Mais dois ebooks adicionados! Mais sites sobre literatura fantástica na 3a atualização)

Em breve, irei tentar listar links para a compra e para críticas/resenhas das obras.

Em papel

Romances/Novelas

Além da Terra do Gelo (Victor Maduro – Independente)
Alma e Sangue 1 (Nazarethe Fonseca – Aleph – reedição)
Alma e Sangue 2 (Nazarethe Fonseca – Alpeh)
Anjo de Dor (Roberto Causo – Devir)
O arqueiro e a feiticeira (Helena Gomes – Idea – reedição)
Crônica dos Senhores do Castelo (Gustavo Brasman – Independente)
Deixando de existir (Goulart Gomes – Livro.Com)
Dias da Peste (Fábio Fernandes – Tarja)
Dragões de Éter 2 (Raphael Draccon – Leya)
O Elo (Marcello Salvaggio e Valerio Oddis Jr – Isis)
Ethernyt (Marson Alquati – Giz)
Guardiões do Tempo (Nelson Magrini – Giz)
Kaori (Giulia Moon – Giz)
Kara e Kman (Nazarethe Fonseca – Tarja – reedição)
Kymaera ((Helena Gomes – Jambô)
O livros de Laios (Jorge Tavares – Novo Século)
O livro de Iazmein (Jorge Tavares – Novo Século)
O que o olho vê (Carlos Orsi – Scarium Fantástica)
Padrões de Contato (Jorge Calife – Devir – reedição)
Relíquia (Gustavo Drago e Nana B. Poetisa – Biblioteca 24×7)
Tempo das Caçadoras (Miguel Carqueija – Scarium Fantástica)
A Travessia (Roberto Causo – Hiperespaço)
A tríade ((Helena Gomes – Idea)
Vale dos Elfos (Atila Siqueira – Biblioteca 24×7)
O vampiro da Mata Atlântica (Martha Argel – Idea)
Vinganças de Sangue (Kampos – CBJE)
Xochiquetzal (Gerson Lodi-Ribeiro – Draco)

Antologias de autor

AnaCrônicas (Ana Cristina Rodrigues – A1)
Antologia do Absurdo (Victor Melloni – Clube dos Autores)
Grafias Noturnas (L. F.  Riesemberg – Biblioteca 24×7)
A Ira dos Dragões e Outros Contos (Estus Daheri – Arte & Letra)
A mudança das estações (Susana Lorena – Multifoco)
Um salto na escuridão (Henry Evaristo – Clube de Autores)
A Sete Palmos (Waldick Garret – Novo Século)
Taikodom: Crônicas (Gerson Lodi-Ribeiro – Devir)
Universo subterrâneo (Danny Marks – Multifoco)

Coletâneas (sublinhadas são as que exigiram contrapartida dos autores de alguma forma)

Alterego (Org. Octavio Cariello – Terracota)
Cartas do fim do mundo (Org. Claudio Brites e Nelson de Oliveira – Terracota)
Contos Imediatos (Org. Roberto Causo – Terracota)
Dias Contados (Org. Ricardo Delfin e Danny Marks – Andross)
Dimensões.br (Org. Helena Gomes – Andross)
Draculea (Org. Ademir Pascale – All Print)
Espelhos Irreais (Org. Ana Cristina Rodrigues – Multifoco)
FC do B 2 (Org. PHB – Tarja)
Fiat voluntas tua (Org. Monica Sicuro e Rubia Cunha – Anthology/Multifoco)
Ficção de Polpa 3 (Org. Samir Machado – Não Editora)
Futuro Presente (Org. Nelson de Oliveira – Record)
Galeria do Sobrenatural (Org. Silvio Alexandre – Terracota)
Imaginários 1 (Org. Tibor Moricz, S. Stockler e Eric Novello – Draco)
Imaginários 2 (Org. Tibor Moricz, S. Stockler e Eric Novello – Draco)
Invasão (Org. Ademir Pascale – Giz)
O livro vermelho dos vampiros (Org. Luiz Guedes – Devir)
Marcas na parede (Org. Hanna Liis-Baxter – Andross)
Metamorfose (Org. Ademir Pascale – All Print)
Pacto de Monstros (Org, Rubia Cunha e Monica Sicuro – Anthology/Multifoco)
Paradigmas 1 (Org. Richard Diegues – Tarja)
Paradigmas 2 (Org. Richard Diegues – Tarja)
Paradigmas 3 (Org. Richard Diegues – Tarja)
Sinistro (Org. Frodo Oliveira – Anthology/Multifoco)
Solarium 1 (Org. Frodo Oliveira – Anthology/Multifoco)
Solarium 2 (Org. Frodo Oliveira – Anthology/Multifoco)

Steampunk (Org,. Gian Celli – Tarja)
Território V (Org. Kizzy Ysatis – Terracota)

Não-ficção

Almanaque Jornada nas Estrelas (Salvador Nogueira e Suzana Alexandria – Aleph)
Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica 2008 (Marcello Simão Branco e Cesar Silva – Tarja)
Literaturas Invisíveis (Org. Edgar Nolasco e Rodolfo Londero – UFMS)

Revistas e Zines

FicZine 7
Notícias… do fim do nada
(80-82) Extinto
Revista Lama
Portal Fundação
Portal Solaris
Portal Stalker
Scarium
(n. 25)

Na web

Ebooks

A Deusa dos Vampiros (Adriano Siqueira – Overmundo)
Agente A-5: Segredos e Justiça (Régis Rocha – Afrodinamic Produções)
Empadas e Morte (M.D. Amado)
Fantasma na Máquina (Lucio Manfredi – Overmundo – reedição)
As histórias do Barão Otto von Dews 1 (Rita Maria Felix da Silva)
Melhor do Desafio Operário (Org. Ana Cristina Rodrigues – Fábrica dos Sonhos)
Momentos Noturnos (Adriano Siqueira – Overmundo)
Nômade (Carlos Orsi)
O jogo no Tabuleiro (Simone Sauressig)

EZines

Adorável Noite 29-33
Black Rocket 3
Juvenatrix 115-119
Terrorzine 04-16

Sites de Contos

Contos Fantásticos
Estronho e Esquesito
Fontes da Ficção
Letra e Vídeo
O nerd escritor
Terroristas da Conspiração

Sites informativos/resenhas

Biblioteca Mal Assombrada
A Casa das Almas
Cidade Phantástica
Criando Trestálios
Falando de Fantasia
Fantastik
Ficção Científica e Afins
Homem Nerd
Infernoticias
Intempol
Leitura Escrita
Livros Fantasia
Mundo de Fantas
Museu do Terror
Ponto de convergência
Observatório a Vapor
Portal Cranik
Papo na Estante
Universo Fantástico
Universo Insônia

Colunistas

Antonio Luiz Costa
Raphael Draccon
Roberto de Sousa Causo

Redes Sociais

aoLimiar
Livrus
O Livreiro
Steambook

Torre Negra