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Vivendo em 1984

Estou longe de ser um fã do Paulo Henrique Amorim, mas o que aconteceu com ele nesta semana foi um absurdo. Não bastasse o fato de ter seu contrato rescindido sem motivos da noite pro dia, o IG ainda tentou impedi-lo de acessar o conteúdo de seu blog, impossibilitando-o de reaver tudo o que havia escrito até então ( situação essa já revertida com uma liminar obtida na Justiça).

Qualquer blogueiro deve estar bem atento ao desenrolar desse caso, pois diz respeito ao seu direito de ser reconhecido como autor do que você publica na internet.

Alguns anos atrás, me tornei assinante da Globo.com. A primeira coisa que fui procurar foi como ter um blog lá, afinal pago deve ser melhor, pensei. Quando fui ler o contrato (aquele bando de letrinhas que você tem que dizer que concorda pra prosseguir), notei que, para blogar lá, teria que abrir mão dos direitos do que escrevesse lá. Sim, tudo o que iria escrever lá seria de propriedade da Globo.com (que além da Globo, também é da Microsoft). Claro que não prossegui, e mantive minha conta no Blogger, que me assegura de que sou o dono de todas as bobagens que escrevo.

O mais assustador disso é pensar que, mais do que ser “roubado”, tudo o que escrevi poderia ser apagado. No caso do Paulo Henrique Amorim, ele estava denunciando (mais uma) irregularidade na briga Daniel Dantas x Citybank. O que o IG fez foi, ao que parece, uma tentativa de impedir que essa informação fosse divulgada.

O comportamente da mídia é sempre assim: sempre que envolve grana a ética, a verdade factual, o manual de como elaborar uma boa matéria, tudo fica em segundo plano. Uma decisão como a do Google de bloquear o acesso a certos sites na China é vista como uma decisão de mercado – não se avalia se isso é certo ou errado, apenas se os acionistas terão lucro ou prejuízo.

Lembram do livro 1984, onde os arquivos históricos eram reescritos de acordo com a conveniência do Big Brother? Pois hoje bastaria ao BB deletar as informações indesejadas do provedor de internet, ou bloquear o acesso ao endereço eletrônico com as mesmas. Acho que os “deuses da FC” nos mandaram um recado ao fazerem Neuromancer ter sido publicado no ano de 1984.

Por isso, vale a dica manjada, mas verdadeira: sempre façam back-up DE TUDO!

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