O último herói italo-americano

It’s me, Mario!

A geração mais nova de escritores de fantasia, que beiram os vinte anos, adora dizer que se inspira nos jogos de videogames. Depois dessa afirmação, sai enumerando grandes clássicos dos cartuchos, CDs e DVDs como Final Fantasy, Zelda, Kingdom Hearts, Secret of Mana, Chrono Trigger, Castlevania… Até Street Fighter e Tekken já vi serem listados.

Mas uma dúvida sempre me atormentou: e o Mario?

(Pausa para piadas batidas envolvendo armários)

(Talvez a pausa precise ser maior para que vocês possam refletir. Sim, a ficha vai cair. As lembranças eróticas sobre aquele armário da casa do seu vizinho gostosão vão se desvanecer e você irá bater a mão na testa e dizer ‘Ah, aquele Mario’)

Ele passou de coadjuvante no Atari a protagonista do Grande Império Nintendo, uma das peças da Guerra Fria dos Videogames. Houve um tempo, meninos e meninas, em que as pessoas paravam de falar umas com as outras por causa de Sega VS Nintendo – ou melhor, Sonic VS Mario. O ouriço não teve a menor chance (ele não é porco espinho, ok?) contra o carismático encanador que já morou no Brooklyn com seu irmão esquisito e hoje mora no Reino dos Cogumelos, sendo o eterno amor platônico de sua governante, a Princesa Peach. Sim, Pêssego. E ela governa o reino dos cogumelos. Eu não disse que era a coisa mais interessante/original/lógica do mundo, disse?

Desde sua estréia, Mario passou por muitas mudanças e desventuras. Pior do que o que ele passou, só a sina da pobre Peach, que é arrastada de um lado para o outro por uma tartaruga gigante com espinhos, chamada Bowser, uma encarnação mais simpática daquele monstro que destruía Toquio.

(Aliás, se você é velho como eu e nintendete, provavelmente jogou ‘Sim City’ pra SuperNES e viu Bowser destruir seu lindo bairro industrial. Malditos japoneses e sua mania de culpar a poluição por monstros gigantes!)

Todo o tipo de criatura estranha já passou pelos jogos de Mario: um dinossauro fominha que come até pedra chamado Yoshi – e sua imensa e multicor família; Wario, a versão amarela do nosso encarnado herói (existe um Waluigi, mas não me perguntem); cogumelos de diversos tipos e tamanhos; correntes com bolas que latem e se comportam como cachorros; estrelas, bombinhas rosas que são legais; bombinhas pretas que NÃO são legais…

O universo de Mario já emprestou seu nome para uma infinidade de jogos que não os tradicionais, em variantes de Tetris, jogos de corrida, de tabuleiro, de tênis. Seus personagens já estiveram em desenhos animados e deram origem a isso:

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Sim, são Dennis Hopper, Bob Hoskins e John Leguizano. Carreiras tem que acabar e começar em algum ponto, certo?

(Mas a trilha sonora tinha Queen, Roxette, George Clinton fazendo cover do Was (Not Was), Megadeth e Joe Satriani. Antes dos mp3 e num país avesso a singles, muita gente comprou o album)

(Tá, eu confesso: comprei porque tinha Extreme, qual o problema?)

‘Mas, Ana, qual o seu ponto?’

Bem, esta é uma resenha inédita no FC e Afins: é uma resenha de um jogo!

E tem a ver, pois Mario habita um mundo de fantasia. ( se você acha absolutamente NORMAL falar com cogumelos…)

Meu filho ganhou um Nintendo Wii de aniversário. E como parte do pacote, teve direito a escolher um jogo. O preferido? Mesmo antes de Lego-qualquer-série-de-sucesso? Super Mario Galaxy 2. Sim, fiquei surpresa.

E fiquei mais ainda com o jogo em si.

Um ponto: não joguei muito o SMG 1. Minha referência mais recente seriam os jogos de N64 – aliás, até jogar o SMG 2, o Super Mario 64 era o meu preferido, seguido de Yoshi’s Island e seus desenhinhos lúdicos.

A história é inédita e revolucionária: Bowser captura a Peach e a leva para dar uma volta no universo infinito. Sério: gastam tanto com gráficos inovadores e melhorando jogabilidade, será que não dava para gastar um trocado com a história? Não é papo de feminista, juro. É só que mesmo a governante mais burra de todo o universo já teria percebido que aquele castelo não é o lugar mais seguro para manter a sede de um governo. Ainda mais com cogumelos medrosos tomando conta.

Não adianta: em termos de plot e coisas do tipo, Super Mario RPG ainda é o ponto de referência. E posso sonhar que eles façam algo do tipo pro Wii?

Certo, depois ele voa pelo espaço numa nave-planeta que fica com a sua cara (literalmente), que pertence a um grupo de seres estreloides. A nave serve como base entre as fases, onde você pode conseguir informações, vidas extras e se distrair.

O jogo tem todos os elementos dos antigos clássicos, com algumas novidades. Mario pode ser uma mola, um fazedor de nuvens, uma abelha, uma pedra que rola. A florzinha que atira também está de volta, assim como Yoshi, o fofo dinossauro comilão. Os fantasminhas tímidos te atazanam em algumas fases. Os gráficos seguem o padrão ‘Mario Bros’, tanto em cores como em elementos: bichos fofinhos e nada muito berrante.

O legal é a variedade. Conforme o jogo avança, a dificuldade aumenta, mas nada que impeça uma criança de 8 anos de conseguir as 70 estrelas e derrotar Bowser – ou uma de 32 de ficar catando todas as estrelas possíveis para abrir todos os mundos que existem pelo mero fator de diversão. A jogabilidade é boa, com movimentos bem variados e (na maioria das vezes) fáceis de executar. Além do que muita coisa é semelhante ao jogo de N64.

Voltemos à minha pergunta inicial: boa parte dos escritores de hoje cresceu com videogames – eu sou do tempo do Atari, mas sempre gostei de acompanhar a área, mesmo que de longe. São pessoas capazes de debater qual Final Fantasy tem melhor roteiro ( é o VI e isso é indiscutível, aliás).

Então, qual é o motivo dos irmãos Mario (imagino que o nome deles sejam Mario Mario e Luigi Mario) serem pouco lembrados por esses escritores?

Simples.

Eles não são os heróis pré-destinados. Alto, louros, fortes e inteligentes, que nasceram com uma missão e irão cumpri-la.

Nem são os anti-heróis que aprendemos a amar. Cínicos, sagazes, irônicos, habilidosos e que só fazem o que é certo porque sabem que vão levar alguma vantagem.

E nem são como Frodo, o herói relutante da Fantasia por excelência. Pois nenhum dos nossos bigodudos amigos tem relutância a cumprir seu dever.

Eu acho que eles são deixados de lado porque são absolutamente comuns. Pessoas como eu e você que deram o azar de estarem no lugar errado na hora errada. Eles são narigudos, pobres, esquisitos, cheios de problemas, carecas, falam engraçado. Quem gosta de heróis assim?

Bom, eu gosto.

(O post de hoje é em homenagem ao José Roberto Vieira, autor do ‘Baronato de Shoah’ que faz aniversário hoje – e que assim como o Mario Mario também… gosta de pizza)

O futuro do pretérito a vapor, um ano depois.

Hoje, o escritor e jornalista Romeu Martins lembrou que é o aniversário da coletânea Steampunk. Um momento mais do que adequado para registrar minhas opiniões sobre a obra e refletir sobre sua repercussão.

Acima de qualquer coisa, temos que reiterar algo: foi a coletânea brasileira de contos de ficção fantástica que mais repercutiu no fandom, nacional e internacional. (Sim, fandom. Infelizmente, não foi este livrinho o Santo Graal que os escritores brasileiros de ficção especulativa esperam há anos. Um dia, ele chega, junto com Papai Noel e D. Sebastião, e a Academia Brasileira de Letras vai nos chamar a todos para tomar chá de fardão).

Toda a regra tem exceção; no caso daquela velha máxima do Nelson Rodrigues (não somos parentes, apesar da acidez semelhante) ‘Toda a unanimidade é burra’, a exceção é a coletânea da Tarja. Não houve comentários negativos, apesar de alguns resenhistas terem dado destaques positivos e negativos. A lista bem extensa de resenhas é esta:

Comentário no Correio Fantástico
Comentário no World SF
Comentário no Mensagens do Hiperespaço
Resenha de Larry Nolen (em inglês)
comentada no Cidade Phantastica
Twitterresenha de Edgar Refinetti no Cidade Phantastica
Resenha de Ricardo França no Cidade Phantastica
Resenha de Pedro Vieira
Resenha de Giseli Ramos
Resenha na revista online RRAULR
Resenha na Paragons
Resenha de Bruno Schlater
Comentário de Roberto de Sousa Causo
Resenha de Cristina Alves em duas partes I e II
Ana Carolina Silveira

‘Ok, Ana, nós sabemos o que estes resenhistas acharam. Queremos saber a SUA opinião ou não estaríamos aqui.’

É nessas horas que eu não gosto de ser amiga de outros escritores. Afinal, considero 89% dos autores presentes na coletânea como amigos. Bom, eles sabem que eu sou sincera.

Ser resenhista pode ser o caminho mais curto para perder seus amigos...

O grande lance de Steampunk – histórias de um passado extraordinário , um dos toques que fizeram o livro destacar-se entre as muitas coletâneas de ficção fantástica dos últimos dois anos foram duas histórias. Não que as outras sete sejam ruins.

Porém, os contos de Jacques Barcia e Fábio Fernandes conseguiram ser vaporosos sem o cheiro de naftalina que os demais trouxeram. Não se importaram em imitar escritores de dois séculos atrás, seja Poe, Verne, Lovecraft ou Machado.

Apesar de ‘Uma vida possível atrás das barricadas’ ser também New Weird – seu autor é o único brasileiro a assumida e reconhecidamente escrever dentro desse movimento, nem por isso deixa de ser vapor. Jacques Barcia cria um cenário único, fugindo do século XIX histórico, contando uma história de amor inusitada entre dois integrantes das classes baixas. Não é sobre cientistas, espiões, tramas internacionais. É sobre um autômato e uma golem e a vida possível atrás das barricadas de uma cidade que se rebela contra o status quo. Tocante, bem escrito e imaginativo.

Seria o melhor conto do livro isolado, não fosse ‘Uma breve história da maquinidade’ de Fábio Fernandes. Viktor Frankenstein e seu método são recorrentes nos textos do autor. Em um texto basicamente narrativo, ele traz mais uma versão da historia do médico com complexo de Deus que, depois do embate com sua criatura resolve dedicar-se a autômatos. O único ponto ruim é que dá vontade de destrinchar melhor esse universo.

Depois, na minha escala de gosto, vem ‘A música das esferas’. Mas preciso apontar que conheço o universo apresentado por Alexandre ‘Lancaster’ Soares há anos, então sou familiarizada com a narrativa, os personagens e o cenário. O conto fica meio perdido, por ser mais ingênuo e com um tom mais juvenil que os demais, e o final compromete um pouco. Porém, o jovem Adriano tem tudo para virar herói teen.

Steampunk também pode ser art decô

Gosto muito do cenário do ‘Cidade Phantástica’, de Romeu Martins, e do uso que faz de personagens tão diferentes. Porém, a trama me pareceu muito rocambolesca, ao contrário de ‘Por um fio’, de Flávio Medeiros, que poderia ter ousado mais nas máquinas vernianas e ficou tímido.

‘A flor do estrume’ de Antonio Luiz da Costa é um exemplo do que falei sobre tentar mimetizar autores de época. Apesar do talento do escritor e do conjunto cenário-trama, que ficou interessantíssimo, o resultado final ficou pesado. ‘O plano de Robida’ de Roberto Causo poderia ter se beneficiado de um bom corte, ficou grande demais, por vezes cansativo e sem final, apesar de uma boa construção de personagens e tramas.

Dois contos, na minha nada humilde opinião, poderiam tranquilamente ter ficado de fora da coletânea. ‘Dobrão de prata’, de Claudio Villa, não é ruim, muito pelo contrário é o melhor texto do autor que li até agora. Porém, não cabe numa antologia temática de steampunk. E Gian Celli colocou seu conto para abrir e forneceu o texto mais fraco, que adiciona muito pouco ao livro. O seu ‘Assalto ao trem pagador’ tem elementos que se encontram nos demais contos, e ainda por cima tem muito mais cara de primeiro capítulo do que de um texto fechado. Talvez um texto introdutório de peso, explicando sobre o gênero e os motivos de cada conto estar ali fizesse mais jus ao bom trabalho de ter reunido esse bom elenco, apesar das falhas como editor, ao incluir um conto fora da temática e permitido que contos ficassem sem final.

Ao fim e ao cabo, a coletânea deu visibilidade ao gênero dentro do fandom e apresentou escritores brasileiros ao público fã da cultura do vapor. Os autores envolvidos continuam a fazer vapor: Barcia e Fernandes vão entrar numa nova edição da coletânea de Jeff Vandermeer sobre o gênero, Romeu Martins e Antonio Luiz da Costa prosseguem explorando os universos apresentados nos seus contos, Alexandre Soares tem grandes planos para seu herói.

Talvez essa continuidade seja o grande legado do livro.

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Resultado do Prêmio

Olá a todos.

Eis que finalmente saiu o resultado do Prêmio Melhores do Ano:

Categoria: Romances:

1. Lugar: Kaori (Giulia Moon – Giz)– 24 votos

2. Lugar: Dias da Peste (Fábio Fernandes – Tarja)– 18 votos

3. Lugar: Xochiquetzal (Gerson Lodi-Ribeiro – Draco)– 14 votos

4. Lugar: Ethernyt (Marson Alquati – Giz) – 13 votos

5. Lugar: Guardiões do tempo (Nelson Magrini – Giz) – 11 votos


Categoria: Antologias

1. Lugar: Anacrônicas (Ana Cristina Rodrigues – A1) – 32 votos

2. Lugar: Taikodom: crônicas (Gerson Lodi-Ribeiro – Giz) – 23 votos

3. Lugar: Antologia do absurdo (Victor Melloni – Clube dos Autores)– 11 votos

4. Lugar: A sete palmos (Waldick Garret – Giz) e Um salto na escuridão (Henry Evaristo – Clube de Autores) – 10 votos


Categoria: Coletâneas

1. Lugar:  Steampunk (Gian Celli, org. – Tarja)– 31 votos

2. Lugar: Metamorfose (Ademir Pascale, org. – All Print)– 23 votos

3. Lugar: Paradigmas I (Richard Diegues, org. – Tarja) – 22 votos

4. Lugar: Draculea (Ademir Pascale, org, – All Print)– 21 votos

5. Lugar: Imaginários I (Eric Novello, Tibor Moricz, S. Stoclker – Draco)– 15 votos


Categoria: Ebooks

1. Lugar: Empadas e Morte (M.D. Amado) – 33 votos

2. Lugar: Melhor do Desafio Operário  (Ana Cristina Rodrigues, org.) – 16 votos

3. Lugar: A deusa dos vampiros (Adriano Siqueira) – 12 votos

4. Lugar: Fantasma na máquina (Lucio Manfredi) – 7 votos

5. Lugar: A canção do silêncio (José Roberto Vieira) – 6 votos

Categoria: Revista

1. Lugar: Scarium – 36 votos

2. Lugar: Portal Fundação – 11 votos

3. Lugar: Revista Lama – 8 votos

4. Lugar: Portal Stalker – 8 votos

5. Lugar: Portal Solaris – 7 votos

Categoria: Editoras

1. Lugar: Draco – 55 votos

2. Lugar: Tarja – 43 votos

3. Lugar: Devir – 28 votos

4. Lugar: Giz – 25 votos

5. Lugar: Aleph – 20 votos

Categoria: Capas

1. Lugar: Metamorfose – 26 votos

2. Lugar: Anacrônicas (Estevão Ribeiro) – 17 votos

2. Lugar: Kaori (Beléto Maya – Superarte Design) – 17 votos

4. Lugar: Steampunk (Marcelo Tonanindel) – 15 votos

5. Lugar: Fc do B II (Camila Fernandes)– 12 votos

Categoria: Colunistas / Resenhistas

1. Lugar: Eric  Novello – 35 votos

2. Lugar: Ana Cristina Rodrigues – 29 votos

3. Lugar: Roberto de Sousa Causo – 26 votos

4. Lugar: Antonio Luiz da Costa – 20 votos

5. Lugar: Romeu Martins – 14 votos


Categoria: Contos

1. Lugar: O mapa para a terra das fadas – Ana Cristina Rodrigues (AnaCrônicas) – 11 votos

1. Lugar: Uma Vida Possível Atrás das Barricadas – Jacques Barcia  (Steampunk) – 11 votos

3. Lugar: A Dama de Shalott – Ana Cristina Rodrigues (AnaCrônicas) – 7 votos

3. Lugar: Eu, A Sogra – Giulia Moon (Imaginários I) –  7 votos

5. Lugar: Os Três Trílios – Aguinaldo Peres (Espelhos Irreais) – 6 votos

5. Lugar: Sinfonia Para Narciso – Cristina Lasaitis (Paradigmas 1) – 6 votos

7. Lugar: Uma Breve História da Maquinidade – Fábio Fernandes (Steampunk) – 5 votos

Categoria: Editores/Organizadores

1. Lugar: Ademir Pascale – 26 votos

2. Lugar: Richard Diegues – 22 votos

3. Lugar: Gian Celli – 18 votos

4. Lugar: Ana Cristina Rodrigues – 12 votos

5. Lugar: Samir Machado – 11 votos

Categoria: Ezines

1. Lugar: Black Rocket 3 – 18 votos

2. Lugar: Terrorzine – 17 votos

Categoria: Não-ficção

Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica 2008 – 30 votos

Categoria: Site de contos

1. Lugar: Estronho e esquesito – 38 votos

2. Lugar: Contos Fantásticos – 33 votos

3. Lugar: Fontes da Ficção – 15 votos

4. Lugar: Terroristas da Conspiração – 13 votos

5. Lugar: O Nerd Escritor – 12 votos


Categoria: Sites informativos

1. Lugar: Fantastik – 17 votos

1. Lugar: Homem Nerd – 17 votos

3. Lugar: Criando Trestálios – 16 votos

3. Lugar: Universo Fantástico – 16 votos

5. Lugar: Mundo de Fantas – 15 votos

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As Histórias e as alternativas: afinal, o ‘se’ pode existir?

(Artigo sobre História Alternativa, um gênero da Literatura Especulativa, como complemento a resenha de “Xochiquetzal”, a ser publicada futuramente)

A impossibilidade na Academia

Qualquer pessoa que já tenha adentrado uma faculdade de História fatalmente já escutou a seguinte frase: “o ‘se’ não existe na historiografia”. O que não é verdade, de forma alguma. Existe toda uma corrente, chamada de ‘contrafactual’, que se embrenha nesse terreno espinhoso: conhecendo o que se desenrolou e estabelecendo um ponto de mudança, como teria sido o mundo?

Não é um caminho fácil. Dentro do campo historiográfico, ele é minoritário, quase uma exceção ou um desvio ensaístico que alguns estudiosos tomam para fazer pequenas derivações de seu trabalho. O grande aprofundamento na contrafactualidade se deu mais no ramo da História Econômica, com a aplicação de formulas econometricas, e na História Militar, com a análise de como diferentes resultados em batalhas poderiam influir na resolução do conflito maior. O primeiro exemplo acadêmico foi Railroads and American Economic Growth: Essays in Econometric History (1964), de Rober Fogel, historiador e economist que ganhou o Nobel de Economia em 1993 por seus estudos na área da cliometria, que é o uso de métodos quantitativos para a análise do processo histórico.

No trabalho de 1964, Fogel fez uma analise comparativa entre os dados reais dos EUA em 1890 e uma projeção alternativa na qual as ferrovias não estariam presentes, limitando os meios de transporte às estradas e rios. O resultado de sua análise, muito controverso, mostrava que as ferrovias tiveram um impacto muito menor na formação econômica americana do que era tido como certo até então. Fogel prosseguiu em seus estudos de cliometria, porém não se aprofundou na história contrafactual.

Dentro da Historiografia, a linha contrafactual segue de maneira errática, baseando-se principalmente em ensaios curtos, geralmente sobre História Militar ou pegando eventos “importantes” como pontos de divergência da História tida como real. Aliás, é uma das grandes críticas feitas a esse campo. Tendo em vista o pouco aprofundamento das pesquisas, as análises contrafactuais, dificilmente estas conseguem compreender uma noção de contexto, não explicando as relações de ruptura e continuidade e alienando os aspectos sócio-culturais do processo histórico. Ela surgiria mais como uma inversão direta da velha História Factual, derrotada pela Nova História francesa, do que um acréscimo a crescente preocupação da Academia com a relação entre o micro e o macro-histórico.

No Brasil, a História Contrafactual se resume basicamente a alguns ensaios publicados em revistas e jornais de grande circulação. E mesmo assim, muitas vezes são escritos em tom mais de ensaio do que de apresentação de hipóteses – como o de José Murilo de Carvalho para a Revista de História da Biblioteca Nacional, sobre a possibilidade da Corte não ter saído de Lisboa em 1808, na Invasão Napoleônica. Raramente, estes estudos são feitos em tom mais sério, como o de Mário Maestri para o Jornal Zero Hora, sobre a Revolução Farroupilha,ou o de Osvaldo Pessoa sobre um método para desenvolver Histórias contrafactuais da Ciência. Da produção internacional, somente a coleção de ensaios dirigida por Robert Cowley foi publicada, com prefácio de Mary Del Priore.

História Alternativa: a narração do ‘não-tempo’

Se no campo acadêmico, o ‘e se…’ é malvisto e criticado, na ficção, as narrativas do que poderia ter sido tem encontrado cada vez mais espaço. Pode-se traçar sua origem longingua à narrativa de Tito Lívio, que se pôs a imaginar como seria uam guerra entre Roma e o império de Alexandre, no livro IX de Ab urbe condita (“Desde a fundação da cidade”).

Porém, durante a Antiguidade e a Idade Média as fronteiras entre ‘real’ e ‘imaginário’ – e por conseqüência entre ‘possível’ e ‘impossível’ nas obras de cunho memorialístico ou histórico eram tênues e quase existentes. É difícil dar um exemplo concreto de especulações nesse sentido, principalmente para a Europa cristã, embora alguns acadêmicos tenham visto ecos de hipóteses de ucronia na refutação feita por Al-Ghazali das idéias de Avicena.

Para quem gosta de estabelecer pontos de origens, provavelmente o primeiro exemplo de História Alternativa como narrativa intencionalmente ficcional e criadora de uma nova realidade a partir de um ponto de divergência foi Tirant le blanch. Escrito dentro da popular tradição dos romances de cavalaria, conta a história de Tirant, guerreiro que dentre muitos feitos, impede que Constantinopla seja tomada pelos turcos em 1453, impedindo a queda do Império Bizantino, do qual se tornou herdeiro. A obra começou a ser escrita por Joanot Martorell em 1460, quando o Ocidente ainda recuperava-se do choque da perda definitiva da Terra Santa para os muçulmanos, e reflete muito a nostalgia e a melancolia do final da Idade Média e do declínio da cavalaria. Com a morte do autor, a obra foi supostamente terminada por Martí Joan de Galba e publicada em 1490, tendo influenciado o ciclo tardio de romances cavaleirescos da península Ibérica nos séculos XVI e XVII.

Um exemplo melhor acabado, que teve recepção popular como História Alternativa – o Tirant era um romance de cavalaria com um ponto de divergência ­– foi Histoire de la Monarchie universelle: Napoléon et la conquête du monde (1812–1832), do francês Louis Geoffroy. Publicado em 1836, com uma edição revisada em 1841, ambas já acessíves no projeto Gallica, o livro conta como Napoleão derrotou a Rússia em 1812, domina a Inglaterra em 1814 e se torna o benevolente governador do mundo, promovendo uma grande evolução tecnológica. O autor inclusive narra a descoberta de um novo planeta, Vulcan.

Mas a lingua na qual as ucronias tornaram-se mais populares foi o inglês. Os estudiosos consideram que o primeiro texto de História Alternativa anglofono foi ‘P.S. Correspondence’, em que um homem era tido por louco por ter acesso a uma realidade diferente, na qual diversas personalidades mortas ainda existiam. Já o primeiro romance foi “Aristopia: A Romance-History of the New World”, publicado em 1895. Diferentemente do conto de Hawtorne, o romance de Castello Holford não trabalhava com realidades paralelas. Sendo fruto da onda de literatura utópica do final do século XIX, tinha uma grande particularidade. Ao contrário das utopias usuais, que colocam o lugar perfeito em um futuro distante ou em um lugar praticamente inatingível, Holford estabeleceu a origem do seu exemplo da sociedade no passado. Na obra, um conjunto de pioneiros encontra uma montanha de ouro puro, no inicio da colonização da América do Norte. Influenciado pela Utopia de Morus, o líder dos colonos funda a Aristopia, um estado forte e benevolente, que prospera e acaba por dominar todo o território ao norte do Rio Grande.

No século XX, a História Alternativa se uniu às histórias de extrapolação científica, principalmente de viagem no tempo e realidades paralelas. Por essa aproximação, muitos ainda consideram a História Alternativa como sendo um ramo da Ficção Científica, apesar de suas origens diversas. É impossível quantificar a produção de História Alternativa no século passado, embora o site Uchronia mantenha uma lista bastante abrangente de romances, contos, ensaios e demais trabalhos de História Alternativa.

Há vários autores e obras relevantes a serem considerados, dentro da literatura de gênero, aquela produzida por autores dedicados a Ficção Especulativa, e mesmo fora dela, por autores mais inseridos no mainstream literário. Pois apesar de seu elemento de extrapolação do real, a História Alternativa atraiu inclusive autores avessos à literatura fantástica.

Vários autores de Ficção Científica e Fantasia escreveram narrativas em que o processo histórico alterou-se em algum momento, apresentando assim uma realidade alternativa a nossa. Alguns fizeram de forma independente, ou seja, contaram a sua trama sem relacioná-la com o vivido na Linha Temporal Oficial. É o caso de O homem do castelo alto de P. K. Dick: neste interessante jogo de metalinguagem, o Eixo ganhou a Segunda Guerra Mundial e um autor escreve um livro de História Alternativa em que os aliados venceram.  Harry Turtledove, um dos autores mais prolíficos dentro do gênero, escreveu várias histórias dessa forma, como O dilema de Shakespeare, em que a Armada Espanhola mostrou-se realmente invencível e invadiu a Inglaterra, colocando William Shakespeare a serviço de Felipe II.

Turtledove também se aventurou em outro ramo da História Alternativa, aquele em que as várias linhas temporais se comunicam através de uma agência de viajantes ou patrulheiros. Foi essa premissa da sua série Crosstime Traffic, série para ‘jovens adultos’ sobre uma agência de comércio e turismo envolvendo viagens no tempo. E é também o ponto de partida para a série de histórias da Patrulha do Tempo de Poul Anderson, na qual por vezes a História é alterada como conseqüência das viagens no tempo.

Autores não identificados com a literatura especulativa também contribuíram para o gênero. É o caso de Complô contra a América, do elogiado Phillip Roth, em que Charles Lindbergh torna-se presidente dos EUA em 1940, fazendo crescer o anti-semitismo no país.  O controverso autor de Lolita, Vladimir Nabokov, também se aventurou a imaginar uma realidade diferente, a partir de um ponto de convergência em Ada ou Ardor: Crônica de uma Família, tido como o seu último “grande romance”. A trama se passa em uma América do Norte que foi parcialmente colonizada pela Rússia czarista e tem várias semelhanças com O homem do Castelo Alto, principalmente por jogar com as realidades e alternativas.

O movimento steampunk em várias obras se aproxima da História Alternativa, como no livro seminal do gênero The difference engine de Bruce Sterling e William Gibson. Porém, de modo geral podemos dizer que nesse movimento a estética do vapor é mais importante do que estabelecer as mudanças a partir de um ponto de convergência em relação a nossa Linha Temporal.

História Alternativa no Brasil

Gerson Lodi-Ribeiro, um dos maiores especialistas no assunto, fez em 1998 uma lista completa das obras de História Alternativa disponíveis em língua portuguesa – incluindo aí traduções. A listagem desanima pelo tamanho, já que ocupa apenas 3 páginas do Ensaios de História Alternativa.  E se constitui majoritariamente de autores anglofonos: apenas sete brasileiros (entre eles o próprio Gerson e um seu pseudônimo) constam, com apenas um romance, A casca da serpente, de J.J. Veiga. No livro, Antônio Conselheiro não morre na queda de Canudos e prossegue em sua missão de profeta.

Porém, o grosso da produção é de Gerson, considerado o grande mestre do gênero no país, já tendo sido indicado a um dos principais prêmios dedicados à literatura de História Alternativa.

Felizmente, a listagem, nestes últimos doze anos, tornou-se bastante defasada. A produção nacional intensificou-se, com o apoio do próprio Gerson, que organizou uma coletânea dedicada a repensar a História brasileira dentro do ponto de vista da literatura especulativa, Phantastica Brasiliana. Outros nomes foram criando força dentro do gênero, como Roberval Barcellos e Ataíde Tartari, e Gerson teve sua coletânea Outros Brasis finalmente lançada no país. Escritores de relevância dentro do fandom vem arriscando passos nesse sentido, como Carlos Orsi, Miguel Carqueija (ambos com obras lançadas pela editora independente Scarium em 2009) e Roberto Causo, cujo romance de História Alternativa Selva Brasil foi lançado no primeiro semestre de 2010. Surgiu mesmo uma antologia de contos, do autor português Bruno Fachoda, publicada pelo sistema on demand.

A tradução se intensificou, trazendo obras mais recentes como o já citado livro Complô contra a América e Associação Judaica de Policia, de Michel Chabon, e clássicos do gênero como O homem do castelo alto e A máquina diferencial (a ser lançada no segundo semestre de 2010).

Alguns fatores podem ter contribuido para isso: a maior divulgação da especulação histórica na mídia, por meio de ensaios ou mesmo documentários televisivos, a presença maior de títulos – que geram um ciclo de interesse continuo, a mudança nos currículos escolares na área de História, que se tornaram mais dinâmicos e interessantes.

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Weird Evangelisti – por Matheus Quinan

Resenhista convidado diretamente do blog Caos Neural

Black Flag

Utilizando uma narrativa violenta e doentia, o italiano Valerio Evangelisti, autor da trilogia “Magus” e de “O Inquisidor” e “Correntes da Inquisição”, constrói, a partir de três histórias alternadas, um livro inovador e marcante.

O primeiro capítulo é o início de uma história, em um tempo mais próximo do presente, onde uma tragédia no Panamá, condicionada pelo ataque de estadunidenses, acontece. Há a presença de um grupo de prisioneiros americanos portadores da “porfiria”, doença responsável por algumas lendas sobre lobisomens. Tal doença, na verdade, é um dos focos principais do
livro. Esta história só tem continuidade no último capítulo.

Passada na Guerra da Secessão, a história principal, de capítulos maiores, conta a trajetória de Pantera, um pistoleiro mexicano, que também é um “palero”, uma espécie de xamã. O feiticeiro é capturado por um bando de mercenários liderado por Jesse James, lendário cowboy de gatilho rápido. Acaba sendo tratado não como prisioneiro, mas como um membro do bando. Em meio ao caos de assaltos a fazendas e do escalpelamento de inimigos, Pantera conhece Koger, um sujeito possuidor de uma doença que o faz parecer um lobisomem, Molly, uma prostituta irlandesa que se apaixona por ele, Lobo Branco, um índio velho portador de um cachimbo capaz de proporcionar experiências psicodélicas, Bellegarrigue, um médico francês anarquista que pretende usar o bando para conseguir seu objetivo, e vários outros personagens insanos e absurdos.

A história que se mescla com a de Pantera se passa em um futuro distante, onde a terra, sobretudo “Paradice”, a cidade em que vive Lilith, a  protagonista, é habitada somente por loucos. A esta altura, a tortura e o sofrimento são encarados como formas de afeto, a morte é vista com indiferença e o estupro é corriqueiro. Todos são assim, sem exceção.

Considerado por alguns a obra lançada no Brasil mais próxima do New Weird, Black Flag quebra o conceito que costumamos ter sobre fantasia e ficção científica, reinventando e fundindo vários estilos de forma bastante efetiva.

Orgulho e preconceito contra zumbis

Um dos maiores chavões que eu conheço – olha que são muitos – é o velho ‘a escola mata o gosto pela leitura ao obrigar os alunos a ler os clássicos’. Apesar de acreditar que muito disso se deve mais a obrigatoriedade do que aos clássicos em si, não podemos desconsiderar que em tempos de ‘Resident Evil’ e ‘God of War’, ‘O morro dos ventos uivantes’ e ‘A Odisseia’ saem perdendo no quesito atratividade.

Afinal, entre ler sobre monstros e matá-los para se tornar um deus qualquer pessoa com menos de 30 anos vai escolher o caminho mais divertido e sangrento. Oras, por vezes até eu mesma escolho. Então, fica difícil alguém conseguir manter a atenção nos intermináveis saraus e reuniões sociais de ‘A moreninha’ e ‘Senhora’ em tempos de ‘The Sims’, twitter e MSN.

E até onde posso perceber, o problema é universal. Ou melhor dizendo, mundial. As crianças vulcanas devem adorar ler os ensinamentos de Surak.

Mas aqui na 3ª pedra a partir do Sol, o negócio é bem mais complicado.

Até que um dia, lá fora – claro, o editor Jason Rekulak da Quirk Classics achou o ‘ovo de Colombo’ dessa história. Foi inspirado pelo exemplo de um livro de auto-ajuda para pessoas… ah, fofas em excesso assim como eu, que misturava os ensinamentos do Sun Tzu em ‘A arte da guerra’ com os conselhos que todo o fofinho já escutou de seu endócrino ou nutricionista que mudou os rumos da sua casa editorial.

Resolveu pegar clássicos da literatura que já tivessem caído em domínio publico e fazer uma mistura com elementos dos livros que a rapaziada curte: vampiros, fantasmas, lobisomens, andróides, zumbis, monstros marinhos, ninjas… Contatou o escritor pouco conhecido Seth Grahame-Smith, dizendo que tinha uma ideia, um título e só. O autor disse depois que este título ‘era a coisa mais genial que já tinha ouvido’: ‘Pride and Prejudice and Zombies‘.

Cá entre nós, se não é a coisa mais genial que EU já ouvi, está no top 100 com certeza.

O livro obviamente incomodou muitos acadêmicos. Mas como todos nós sabemos, o público em geral não dá muita bola para ranzinzices mofadas e adorou a ideia, fazendo do mashup do livro de Jane Austen um dos grande sucessos editoriais do ano passado. A Intrinseca, mostrando mais uma vez que é antenada com o que cheira a sucesso (é a editora das séries ‘Crepúsculo’ e ‘Percy Jackson’ no Brasil), lançou a versão brasileira do livro no começo de 2010.

Manteve-se fiel ao espírito da edição original: a capa é a mesma, o título é a tradução literal, as ilustrações – uma boa emulação dos originais da época de Austen – também estão lá. Inclusive a ‘ficha de leitura’, que tira um grande sarro das perguntas dos livros paradidáticos, aparece no final.

A trama principal é a que foi escrita por Jane Austen em 1813, uma crônica ácida e divertida dos costumes do inicio do século XIX vistos por uma mulher. As irmãs Bennet estão na idade de casar e essa se torna a principal preocupação de sua mãe, uma senhora praticamente insuportável. A vida das cinco moças gira em torno dessa obsessão por casamento, inclusive Elizabeth, a segunda mais velha e a mais ousada, que é a protagonista da história.

Eu disse que a vida delas gira em torno de casamentos? Bem, isso na versão original.

No livro da Quirk Classics, tem um probleminha distraindo as mentes das jovens desse objetivo. Uma estranha praga assola a Inglaterra, fazendo com que os mortos levantem dos túmulos atrás de carne humana. Como nos bons filmes e livros do gênero, uma mordida e o pobre infeliz também irá contrair a moléstia. E é por isso que o pai, o Sr. Bennet, tem outros pensamentos em relação ao futuro de suas filhas. As irmãs são treinadas exaustivamente em artes marciais para poderem se defender e ajudar na defesa de seu país contra as hordas de mortos-vivos.

Aí está a receita. O livro mantém o humor ácido e inteligente de Austen, inclusive com os diálogos marcantes entre Elizabeth Bennet e o arrogante Mr. Darcy, Lady Catherine continua sendo preconceituosa, a pobre Charlotte ainda tem o seu destino trágico… porém tudo fica mais divertido com zumbis. A cena do jantar, logo no começo do livro, perde seu ar de sarau e transforma-se em uma batalha campal em um dos muitos momentos divertidos da história.

O autor não perde muito tempo explicando o que aconteceu ou como os zumbis apareceram. Mal e mal nos deixa saber que estão procurando uma cura. Nos 15% do livro que lhe couberam – já que manteve 85% do texto original – ele se preocupa muito mais em inserir cenas de ação, como a disputa de Elizabeth com os ninjas de Lady Catherine, ela mesma uma eximia lutadora que teve tempos de glória no combate aos atingidos pela praga.

Porém, isso não faz muita diferença. O toque de mestre ali foi saber onde inserir na narrativa os momentos de quebra – como leitora dos dois livros, com e sem zumbis, deu para perceber que ele escolheu bem. Sempre que a trama de Jane Austen podia afastar jovens leitores, há zumbis, ninjas e lutas para trazê-los de volta.

Claro que aqueles que levam a literatura a sério demais bradam que é um sacrilégio, uma afronta, um desrespeito, antiético e até criminoso que o autor ganhe dinheiro dessa forma. Nunca vi, no entanto, esses mesmo críticos refletiram que as editoras ganham muito dinheiro reeditando clássicos em domínio público para servirem como paradidáticos. Qualquer pessoa que entenda o mínimo de legislação autoral sabe que a partir do momento em que a obra cai em domínio público, ela é de livre utilização, por qualquer pessoa, incluindo autores. E só seria antiético se o nome de Jane Austen fosse deixado de lado – o que não acontece, muito pelo contrário.

E é curioso que digam que é um desrespeito e uma afronta. Jane Austen enfrentou esse mesmo tipo de comentário por ser uma mulher que se atrevia a fazer literatura. Poucas na época ousavam, muito menos o sucesso e o reconhecimento da inglesa.

Pode ser que artisticamente, ‘Orgulho e Preconceito e Zumbis’ não revolucione a literatura. Porém, já trouxe uma pequena revolução no mercado. A Quirck Classics já lançou ‘Sense and sensibility and sea monsters’ e agendou o lançamento de ‘Android Karenina’ para outubro deste ano. Grahame-Smith é o autor de ‘Abraham Lincoln: vampire slayer’. Outros autores e editores começam a apostar no filão: Amanda Grange lançou ‘Mr. Darcy, Vampyre’ pela SourceBooks.

E claro que isso não ia parar nos livros.  ‘Pride and prejudice and Zombies‘ vai virar filme e graphic novel. Uma produtora cinematográfica inglesa já anunciou que pretende filmar uma invasão alienígena à cidade fictícia de Meryton, onde se passa o livro de Jane Austen, intitulada Pride and Predator’. Um jogo para Ipod e Iphone será lançado em breve.

E mesmo no Brasil, essa mania pode pegar. O assunto já apareceu na Veja e na Época, foi capa do suplemento Megazine de 20/04/2010, com brasileiros dando exemplos de obras nacionais ‘remixadas’, a Intrinseca já anunciou o lançamento de ‘Razão e Sensibilidade e Monstros Marinhos’ e ‘Abraham Lincoln: matador de vampiros’ para 2010…

E a Desiderata anuciou que no final desse ano irá lançar “Memórias Pós-túmulo de Brás Cubas’ no final do ano. O autor ainda não foi anunciado. Mas já prevejo que ele irá apanhar bastante. Da crítica. O público, porém, tem muita chance de gostar do que vai ler!

Chamada no ‘Comunidade FC

Servir no Céu ou reinar no Inferno?

“A vida de Dolens ardia entre dois fogos: o lume do sonho e as faíscas do pesadelo.”

O centésimo em Roma - capa

Vocês sabem o que países tão diferentes entre si como Romênia, Israel, Portugal e Inglaterra tem em comum? Um dia, muitos anos atrás, todos – ou pelos menos os territórios que pertencem a eles hoje – fizeram parte da mesma unidade política, o Império Romano.

Nossas instituições, nossa forma de governo, nossa ‘religião oficial’… boa parte da origem da cultura do Ocidente vem de Roma e seus dominios. Urbi et orbi. Mesmo a língua em que escrevo esta resenha é romana – ou melhor, ‘romance’.

A cidade na Península Itálica virou nosso eterno Fantasma do Natal Passado, ponto de comparação quase universal. Por exemplo a própria ideia de ‘Império’, quimera perseguida na Idade Média por Carlos Magno e seus descendentes e renascida por várias vezes em palavras e conceitos. Kaiser, czar… palavras que denominam o governante mais poderoso vem de César, o título imperial romano.

(Não vou me alongar aqui nas questões históricas dos impérios coloniais e os do século XIX, mas deixo aqui a recomendação: leiam Eric Hobsbawn, ‘A era dos impérios’)

Hoje, a comparação sempre constante é com a influência política e econômica dos Estados Unidos – o chamado ‘império americano’. Inclusive o emblemático 11 de setembro de 2001 foi comparado à queda de Roma, invadida pelos ‘bárbaros’.

A Roma histórica caiu fisicamente, deixando o seu legado institucional a cargo da religião que a príncipio foi sua vítima, depois um misto de algoz e herdeiro, o cristianismo. A Roma ‘americana’, invadida por ‘godos’ em nome de Alá, permaneceu inteira, se não intacta. No entanto, a invasão deixou impressões que não se apagaram.

Foi essa impressão um dos motivos que levaram o escritor e roteirista Max Mallmann a passar seu quinto romance em Roma – o Império e a cidade. A influência latina no mundo ocidental e a paixão do autor pelos cenários urbanos (três de seus livros anteriores passam-se em cenários urbanos, mesmo que dentro de uma base espacial) também influiram, além de motivos inconscientes.

Roma é uma constante na literatura. De Gore Vidal a Marion Zimmer Bradley, vários foram os autores que se aventuraram pelos caminhos que levavam a capital do mundo. E se formos acreditar nos ditos populares, todos levam lá. Então, todos os gêneros já passearam pelas estreitas ruas entre as sete colinas: Ficção Científica, Fantasia, História Alternativa, Romance, Terror e Suspense. Este último tornou-se tão popular que gerou um subgênero, o dos ‘detetives de toga‘.

E foi por essa trilha que o gaucho seguiu em ‘O centésimo em Roma’, seu terceiro livro pela editora Rocco, lançado neste mês de abril. Ao acompanharmos a vida e as ambições de Publius Desiderius Dolens, centurião que acaba de chegar na cidade para ser o novo primus pilus dos pretorianos, somos envolvidos na trama do assassinato de um senador. A contragosto, Dolens aceita fazer a investigação, ao mesmo tempo em que tenta escalar a complicada hierarquia social romana para chegar ao apice possivel a ele, a ordem equestre.

E nisso, conhecemos a Roma com sua cara múltipla, de gladiadores, judeus, gregos, cristãos, padeiros, prostitutas, sacerdotes falsos e verdadeiros. Inclusive somos apresentados a um legítimo lusitano, dono de uma taverna.

A história desse ambicioso romano, que saiu de um dos bairros mais miseráveis da cidade, é contada em duas linhas narrativas. Pois a base de ‘O centésimo em Roma’ é o livro ‘Vita Dolentis’, de Quintus Trebellius Nepos, que foi comandado pelo centurião. Entremeados com trechos da narrativa contemporânea, testemunhada por Nepos, há trechos em que acompanhamos de um outro ponto de vista, nos quais é a voz do autor brasileiro que fala.

É impossível não se identificar com o protagonista, complexo e paradoxal, dividido entre o dever e a ambição, o amor pela mulher germana e a pátria romana. Dolens é irônico e cruelmente sincero ao refletir sobre seu próprio valor, muito mais do que Nepos – a ironia que é quase marca registrada de Max Mallmann.

A extensa pesquisa histórica traz profundidade ao cenário, apresentado de forma magistralmente suave no decorrer do livro. Roma nos parece tão viva quanto Nova Iorque ou o Rio de Janeiro, e os personagens, apesar de não parecerem romanos anacrônicos, nos dão a sensação de serem conhecidos. Ambientado no ‘Ano dos Quatro Imperadores’, em que a instabilidade ameaçava a continuidade do império,  o livro trata da política romana de uma forma que a torna estranhamente familiar para nós, brasileiros.

Sem contar, claro, os deliciosos pensamentos céticos/heréticos de Dolens tentando entender os cristãos, aquelas figuras estranhas que começam a aparecer em Roma.

No final, o autor acrescentou um posfacio, onde explica o processo de confecção e pesquisa do romance, inclusive listando algumas das obras mais importantes consultadas (por aquelas engraçadas coincidências, uma é o dicionário de latim de Ernesto de Faria, pai de minha chefe na Biblioteca Nacional. Curiosamente, não fui que o indiquei ao autor), as referências implicitas e explicitas, além de lista de personagens.

Para quem gosta de mistério ou de Roma – ou de ambos – uma leitura insuperável.

***

Agora, para você, meu colega escritor iniciante:

‘O centésimo em Roma’ é leitura importantíssima, por alguns pontos:

- Pela meticulosidade e precisão da pesquisa envolvida

- Pela mostra de como trabalhar com referências

- Pela boa construção de personagens e tramas

- E por mostrar que um brasileiro pode escrever sobre Roma com perfeição.

Atenção: A resenha foi escrita com base numa proof-reading. Quaisquer incorreções serão corrigidas com o livro final em mãos

Autor: Max Mallmann

ISBN: 978-85-3252-507-9

Gênero: Histórico

Formato: 16cm x 23cm

Páginas: 424

Capa: Christiano Menezes (estúdio Retina78)

Preço de capa: R$ 49,00

Lançamentos:

Rio de Janeiro- quinta-feira, dia 15 de abril, na Livraria da
Travessa de Ipanema
(Rua Visconde de Pirajá, 572), a partir das 19:30.

Porto Alegre – 6 de maio, também uma quinta-feira, no mesmo
horário, na Livraria Cultura (Bourbon Shopping Country
(Avenida Túlio de Rose, 80 – lj. 302).

Site do autor

Sorteio do livro nas comunidades Ficção Científica e Escritores de Fantasia e FC

Post no Comuna FC

O Jogo de Tronos

“Quando você entra no Jogo de Tronos, você ganha ou morre. Não há um meio termo.”

Conflitos em livros de Fantasia são resolvidos como, pergunto a vocês.

E quase aposto que em poucos minutos, o que virá a sua mente são as batalhas de Helm ou os ents destruindo Isengard. Ou criancinhas sendo perseguidas por pessoas muito más que as querem eliminar, resolvendo assim qualquer problema.

Levando em consideração que grande parte do imaginário da Fantasia – principalmente no que diz respeito à High Fantasy e a Sword and Sorcery – nada podia ser mais irreal.

Guerras custavam – e ainda custam, vide o orçamento do Sr. Nobel da Paz – caro, em termos materiais e sociais. Elas tiram o camponês do campo para fazer parte da infantaria e o nobre do castelo para constituir a cavalaria. Os peões que morrem desfalcam a cadeia produtiva, principalmente levando em consideração que são tempos de alta mortalidade infantil. E a morte de nobres em batalha podem destruir domínios e nações – que o digam Portugal e seu rei-cruzado D. Sebastião.

Portanto, meninos e meninas, a guerra entre dois poderes conflitantes, além de último esforço, era principalmente apenas mais uma parte do grande jogo do Poder. Havia muitas outras estratégias postas em prática pelos participantes do jogo de tronos: casamentos, alianças diplomáticas, troca de favores, subornos, corrupção, traições, assassinatos.

A palavra que era dada hoje podia não valer mais nada amanhã. O Imperador Carlos V libertou Francisco I da França mediante a promessa de ter de volta a Borgonha que pertenceu a seu bisavô. Morreu sem rever Dijon. O bispo que sagrava o rei muitas vezes conspirava para tirá-lo do trono.

Mas e daí, Ana? É Fantasia, poxa, tem magos, dragões, elfos e o caramba-a-quatro. Quem liga pro que é real?

Bem, eu ligo para o que é verossimel. Ou seja, tudo bem se explodirem bolas de fogo em cima de um dragão negro cavalgado por uma mulher de cabelos verdes e seios pintados de azul- desde que aquilo não me tire do livro. Explicando: se a toda hora eu leio algo que eu precise pensar ‘mas é só fantasia’, acaba qualquer chance de imersão naquele universo. E isso é um dos meus problemas com ‘Senhor dos Anéis’ e ‘Harry Potter’ (MEUS problemas, ok? Os livros não são ruins e nem eu odeio Tolkien/J. K. Rowling. Mas tem coisas nas obras de ambos que me incomodam – e eu não os colocaria no meu top dez de autores de Fantasia). Oras, é algo que me incomoda em ‘As Brumas de Avalon’ e eu sou fã de carteirinha da Marion Zimmer Bradley. (A saber: o detalhe irritante nas ‘Brumas’ é a estranha religião celta com apenas dois deuses, uma wicca avant la lettre).

Além disso, a história européia pré-Revolução Francesa tem sido a grande inspiração da literatura de Fantasia . Não dá para ignorar a ‘realidade’ histórica na construção da obra ficcional. E principalmente não dá para esquecer a própria realidade ficcional. Guerras não são simplesmente magos e bolas de fogo e dragões. Mesmo em livros de Fantasia.

E o que torna a série ‘A song of Ice and Fire’ diferente, um passo a frente da maioria dos épicos fantásticos que você já leu?

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A crueza de sua verossimilhança.

Ao enredar o leitor no conflito pelo poder em Westeros, o continente em que se desenvolve a maior parte da saga, George R. R. Martin não cai na armadilha de muitos outros. Não há romantismo ou ideais que durem nessa disputa. O sexo é duro e bastardos rangem os dentes ao serem humilhados. Batalhas não são descritas como épicos combates entre semi-deuses, mas do jeito sujo e rasteiro como aconteciam. Um garotinho que cai do telhado não se salva miraculosamente.

Martin chega a ser malvado com o leitor, matando personagens carismáticos e importantes sem dó, nem piedade. E ele mesmo diz que a intenção dele é que você, leitor, ao virar a página, tema pelo destino das pessoas que estão ali.

Isso vem, em parte, por Martin não ter se inspirado em mitologia ou em épicos antigos, como Tolkien. A grande musa do autor é Clio, a musa grega da História, e a grande referência para os acontecimentos e o cenário é a Guerra das Duas Rosas.

(Ok, ok, meninos. Eu sei que o programa de História das nossas escolas anda um lixo e provavelmente vocês boiaram. Bem, a Guerra das Duas Rosas foi uma disputa pelo poder na Inglaterra no século XV que envolveu duas casas nobres, os Lancaster e os York, representados cada um por uma rosa. A guerra foi consequência direta da guerra dos Cem Anos e alterou o quadro político inglês.)

Foi nessa referência que a série me ganhou e eu comprei o primeiro livro. E não me decepcionei.

Apesar do nome ser pouco conhecido aqui no Brasil, George Martin não é nenhum novato. Começou a escrever no começo da década de 1970, tendo de lá para cá trabalhado com uma grande diversidade de gêneros e de mídias. Suas únicas obras a terem aparecido por aqui foram um conto na edição brasileira da Isaac Asimov Magazine, a telessérie ‘A Bela e a fera’ (ok, crianças, eu conto qual é: uma em que uma policial encontra uma fera vivendo no esgoto de NY) e a adaptação de WildCards para GURPS no suplemento Supers (os livros originais não chegaram a sair por aqui, só uma minissérie de HQs publicadas pela editora Globo – sim, a Globo publicou quadrinhos). Já passou pela FC hard e soft, pela Fantasia Contemporânea/Urbana, pelos Supers…

A melancolia é um traço marcante. E as canções de gelo e fogo também são melancólicas, acentuadas pela aproximação de um inverno que se anuncia longo e cruel. Quatro de seus sete livros já foram publicados – A game of thrones, A clash of kings, A storm of swords e A feast for crows, e o quinto é esperado para breve há quatro anos – A dance with dragons. O primeiro livro saiu em 1996, chamando imediatamente a atenção dos fãs de Fantasia e aos poucos tornando-se um grande sucesso. Os direitos forma vendidos para a HBO que começou as filmagens do episódio piloto no final de 2009.

No continente de Westeros – a tradução portuguesa chamou de Ponente – o Inverno não chega há anos. Porém, começa a dar seus primeiros sinais um pouco antes da morte do rei Robert, que por sua vez tinha tirado o trono das mãos do último rei da dinastia Targaryen. O grande problema é que um dos nobres mais importantes de Westeros, Eddard Stark, desconfia da legitimidade dos filhos do rei  com Cersei Lannister. Essa suspeita dessa bastardia após a morte de Robert faz com que outros pretendentes ao trono aparecem, vindos de outras famílias e com que os antigos aliados do rei tenham que repensar suas estratégias.

Do outro lado do mundo, em outro continente, a filha do último rei Targaryen, sonha com o trono. Daenarys é guiada pela ambição de seu irmão mas logo vê que ele seria incapaz de governar. Mais forte e decidida que ele, assim que se casa com um poderoso chefe de guerra, ela toma as rédeas de sua própria vida e passa a arquitetar a tomada do Trono de Ferro.

E enquanto isso, o vento frio sopra do Norte, fazendo com que os guardas da Muralha – uma imensa estrutura de pedra e gelo, construída com o auxilio de magia – fiquem alertas. Os rumores que os Outros, uma raça antiga e há muito julgada extinta, estejam ativos tornam-se cada vez mais fortes – até que finalmente a verdade surge.

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A narrativa de Martin é seca, direta e – como já dito – tem um grande traço de melancolia. Os personagens são, em sua maioria, extremamente empáticos. Não tem como não se importar com o que vai acontecer com eles, mesmo que seja para torcer por sua desgraça. O anão Tyrrion, que com sua deformação é um contraste a beleza dos seus irmãos, os gêmeos Lannister, teria tudo para ser um vilão odioso, porém é um dos personagens mais cativantes.

E isso faz toda uma diferença.

Para que um personagem literário ganhe vida, é preciso que os leitores sintam o que ele sente. Consigam se colocar no lugar dele e ver o cenário com os seus olhos. Martin faz isso muito bem. Um dos artifícios que usa é o de dar a cada um de seus capítulos um Ponto de Vista diferente. Ao fazer isso, não muda simplesmente o cenário ou o papel de protagonista daquele trecho. O estilo de narrar a história varia de acordo com quem nos traz aquele pedacinho da
história. Assim, quando se junta um escritor competente, um cenário verossímil, uma referência histórica bem estudada e personagens cativantes, não há como não ter uma das melhores sagas de Fantasia jamais escritas ou publicadas.

E sabe o que é melhor ainda?

O primeiro livro da saga, ‘A game of thrones’, vai ser lançado no Brasil no segundo semestre de 2010 pela editora Leya. Ao pensarmos que em 2009 tivemos ‘O nome do vento’ de Patrick Rothfuss e ‘A roda do tempo’ de Robert Jordan chegando aqui, fica mais claro que o mercado editorial brasileiro começa a pensar em sair do infanto-juvenil/bestseller no caso da literatura fantástica. Ainda falta muito para um mundo ideal, como autores clássicos que jamais aportaram por aqui, mas o leitor de Fantasia já pode olhar com otimismo para o futuro.

**

Agora, para você, meu colega escritor iniciante:

LEIA o livro do Martin. Sim, Tolkien foi muito importante – e é uma das influências assumidas do autor – porém há mais no mundo da Fantasia do que a Terra Média.

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Retrospectiva Crítica – Antologias, Coletâneas e Ebooks (2)

Antes de mais nada, quero agradecer a divulgação e a acolhida desse IMENSO trabalho de compilação. E claro, muito obrigada a quem está adicionando mais coisas por aqui!

A nossa retrospectiva gerou uma contraparte lusa, pela minha xará Cristina Alves. Mesmo considerando as diferenças de tamanho do mercado, é muito impactante ver como a nossa produção é maior.

Continuando…

Se foi dificil encontrar resenhas e apreciações críticas para os romances, a tarefa foi ainda mais inglória no caso das coletâneas e antologias.

Parece que, ao contrário do mercado americano – nosso espelho mais apreciado, aqui há um medo excessivo da crítica. Fica como sugestão aos nossos romancistas e organizadores: incentivem a produção de resenhas. Vejam sites que sejam bons nisso e enviem exemplares da obra. Pode ser o melhor investimento da sua carreira literária.

Os ebooks, tentativa incipiente em território nacional, tiveram pior sorte ainda. Somente Carlos Orsi e Simone Sauressig, nomes importantes da 2a Onda de FC brasileira, tiveram seus trabalhos virtuais comentados por Romeu Martins e Cesar Silva, respectivamente.

(Prosseguimento: hoje a noite, publico um post sobre Redes Sociais e literatura fantástica. Amanhã, saem: um post sobre os livros de não-ficção, outro sobre zines e revistas e um LONGO post sobre os sites informativos. A partir de 4a feira, até 6 de janeiro, resenhas inéditas e exclusivas de Os dias da peste, Xochiquetzal, Invasão, Padrões de Contato, Dragões de Eter 2, Black Rocket 3, Fantasma na Máquina, Steampunk, Contos Imediatos, Empadas e Morte, Deixando de Existir e A Travessia. No dia 6, encerramos com um post falando do prognóstico para 2010, que como todo mundo sabe é o ano em que faremos contato)

Antologias de autor

AnaCrônicas
Ana Cristina Rodrigues

Site da Autora

Resenha na Carta Capital
Resenha no Homem Nerd
Resenha na Scarium
Resenha na Rede RPG
Resenha no Leitura Escrita
Resenha de Lucio Manfredi
Resenha de Fernando Trevisan

Antologia do Absurdo
Victor Melloni

Blog do Autor

Resenha na Biblioteca Mal Assombrada

Grafias Noturnas
L. F.  Riesemberg

Blog do Autor

Resenha na Livraria Outubro
Resenha na Biblioteca Mal Assombrada
Resenha no Cantinho da Tati

A Ira dos Dragões e Outros Contos
Estus Daheri

Site da Editora

Resenha na Taverna do Goblin

A mudança das estações
Susana Lorena

Site da Editora

Um salto na escuridão
Henry Evaristo

Site do Autor

A Sete Palmos
Waldick Garrett

Site do Autor

Taikodom: Crônicas
Gerson Lodi-Ribeiro

Site do jogo

Resenha de Fernando Trevisan
Resenha na Carta Capital

Universo subterrâneo
Danny Marks

Site do Autor

Coletâneas

Alterego
Octavio Cariello

Site da Editora


Cartas do fim do mundo
Claudio Brites e Nelson de Oliveira

Site da Editora

Contos Imediatos
Roberto Causo

Site da Editora


Dias Contados
Ricardo Delfin e Danny Marks

Página na Livraria Cultura
Dimensões.br
Helena Gomes

Página na Martins Fontes

Draculea
Ademir Pascale

Página no Portal Cranik

Espelhos Irreais
Ana Cristina Rodrigues

Site da Fábrica dos Sonhos

Resenha de Fernando Trevisan
Resenha de Muhsi
Resenha no Homem Nerd
Resenha no Aguarras
FC do B 2
PHB

Site da Editora

Fiat voluntas tua
Monica Sicuro e Rubia Cunha

Site da Editora

Trailer

Ficção de Polpa 3
Samir Machado

Site da Editora

Comentários de Tibor Moricz

Futuro Presente
Nelson de Oliveira

Site da Editora

Resenha no JB
Resenha de Octavio Aragão
Resenha na Carta Capital
Resenha no Homem Nerd

Galeria do Sobrenatural
Silvio Alexandre

Site da Editora
Imaginários 1
Imaginários 2

Tibor Moricz, S. Stockler e Eric Novello

Site da Editora

Resenha na Taverna do Goblin
Resenha na Carta Capital

Invasão
Ademir Pascale

Site da Editora


O livro vermelho dos vampiros

Luiz Guedes

Site da Editora
Marcas na parede
Hanna Liis-Baxter

Site da Editora

Metamorfose
Ademir Pascale

Página no Portal Cranik

Trailer

Pacto de Monstros
Rubia Cunha e Monica Sicuro

Site da Editora
Paradigmas 1
Paradigmas 2
Paradigmas 3

Richard Diegues

Site da Editora

Resenha do vol. 1 por Cristina Alves
Resenha do vol.1 no Aguarrás
Resenha do vol.1 na Rede RPG
Resenha do vol.1 no Lote do Betão
Resenha do vol.1 no Paragons
Resenha do vol.1 no Aumanack
Resenha do vol.1 no Leitura Escrita
Resenha do vol.2 por Camila Fernandes
Resenha do vol.2 por Cristina Laisatis
Resenha do vol.3 por Giseli Ramos
Resenha do vol.3 no Homem Nerd

Sinistro
Frodo Oliveira

Site da Editora
Solarium 1
Solarium 2
F
rodo Oliveira

Blog da coleção

Resenha no Homem Nerd
Comentário no Mensagens do Hiperespaço
Steampunk
Gian Celli

Site da Editora

Comentário no Correio Fantástico
Comentário no World SF
Comentário no Mensagens do Hiperespaço
Resenha de Larry Nolen (em inglês)
comentada no Cidade Phantastica
Twitterresenha de Edgar Refinetti no Cidade Phantastica
Resenha de Ricardo França no Cidade Phantastica
Resenha de Pedro Vieira
Resenha de Giseli Ramos
Resenha na revista online RRAULR
Resenha na Paragons
Resenha de Bruno Schlater

Território V
Kizzy Ysatis

Site da Editora

Resenha no Aguarrás

Retrospectiva Crítica – Romances (1)

Bom, vamos continuar nossa caminhada pelo ano de 2009.

Com a quantidade de bons lançamentos, a efervescência de blogs também foi grande. Claro que quantidade não necessariamente implica qualidade. A grande maioria dos blogs limitou-se a repetir os releases e quando havia comentários estes foram rasos e resenhas bastante indignas desses nome.

Nessa primeira parte da retrospectiva, iremos listar os romances de 2009, com um link para maiores informações além de todas as resenhas que pudermos encontrar. Se você, autor ou resenhista, sentir falta do seu livro ou da sua resenha, é só entrar em contato.

Romances/Novelas

Além da Terra do Gelo – A jornada do Elohin
Victor Maduro

Site Oficial

Trailer

Resenha no Leitura Escrita reeditada no site Paragons

Alma e Sangue: O Despertar do Vampiro (reedição)
Alma e Sangue: O império dos Vampiros

Kara e Kman: uma saga de Alma e Sangue

Nazarethe Fonseca

Blog oficial

Resenha do vol. 1 no Leitura Escrita
Comentário do vol.2 no Magia de Criar

Anjo de Dor
A travessia

Roberto Causo

Site da editora Devir

Comentário no Mensagens do Hiperespaço sobre ‘Anjo de Dor’
E sobre ‘A Travessia’
Resenha do Homem Nerd sobre ‘A travessia’
Resenha da Scarium Online sobre ‘A travessia’

O arqueiro e a feiticeira (reedição)
Kymaera
A tríade

Helena Gomes

Site da autora

Comentário no Mensagens do Hiperespaço sobre ‘O arqueiro e a Feiticeira’
Resenha de ‘O arqueiro e a Feiticeira’ no Ficção Científica vs Realidade

Crônica dos Senhores do Castelo
Gustavo Brasman e G. Norris

Filme Promocional

Site

Deixando de existir
Goulart Gomes

Site do Autor

Dias da Peste
Fábio Fernandes

Site da Editora

Comentário de José Roberto Vieira
Comentário de Ana Cristina Rodrigues
Resenha de Giseli Ramos
Resenha de Ivan Hegenberg
Resenha de Lucio Manfredi


Dragões de Éter: Coração de Neve
Raphael Draccon

Site do Autor

O Elo
Marcello Salvaggio e Valerio Oddis Jr

Site dos Autores

Trailer

Ethernyt
Marson Alquati

Site do Autor

Trailer

Resenha no Liber Imago

Guardiões do Tempo
Nelson Magrini

Blog do Autor

Resenha no Dicas de Leitura

Kaori
Giulia Moon

Blog da Autora

Trailer

Comentário na Carta Capital
Resenha no Twilighters

Resenha no ARGCAst
Resenha no Ficção Científica vs. Realidade
Resenha no Biblioteca Mal-Assombrada
Resenha de Kizzy Ysatis
Resenha no Vitrine das Ideias
Resenha de Volmar Camargo

O livros de Laios
O livro de Iazmein
Jorge Tavares

Site do Autor

O que o olho vê
Carlos Orsi

Site da Editora

Comentário no Mensagens do Hiperespaço
Resenha de Tibor Moricz
Resenha de Romeu Martins no Overmundo

Padrões de Contato – reedição
Jorge Calife

Site da Editora

Resenha no Homem Nerd

Relíquia
Gustavo Drago e Nana B. Poetisa

Site da Editora

Tempo das Caçadoras
Miguel Carqueija

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